A cidade de Santos, localizada no litoral de São Paulo, superou a média nacional de cobertura vacinal contra o HPV (papilomavírus). Em entrevista, o pediatra infectologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, afirmou que o município se tornou uma referência no assunto.
A meta do Programa Nacional de Imunizações (PNI) é atingir 90% de cobertura vacinal. Segundo a Prefeitura de Santos, 98,31% das crianças e adolescentes de 9 a 14 anos receberam a vacina em 2023. No ano seguinte, a cobertura foi de 97%. Em 2025, dados preliminares indicaram que 89,4% das meninas e 82,7% dos meninos foram vacinados, superando a média brasileira de 82% para mulheres e 67% para homens.
“”Essas histórias de sucesso de municípios são para ser replicadas, apresentadas para a comunidade”, afirmou Kfouri, destacando a vacinação nas escolas como a principal estratégia utilizada.”
Kfouri esteve em Santos para participar do seminário ‘HPV: uma experiência exitosa do município de Santos’ no dia 10 de março. Durante sua visita, ele explicou que alguns dos mais de 200 tipos de HPV podem causar câncer, sendo o câncer de colo de útero o mais comum. A boa cobertura vacinal na cidade resultou em uma das menores taxas de câncer de colo de útero do Brasil, com uma diminuição de 66,6%.
“”A vacina contra o HPV é uma vacina contra o câncer. Quem nunca na vida não desejou que existisse uma vacina contra o câncer? Pois é, ela está aí”, destacou Kfouri.”
O especialista também mencionou os planos do Ministério da Saúde de incluir a vacina nonavalente, que protege contra nove tipos de HPV, no PNI. Atualmente, a vacina quadrivalente é aplicada gratuitamente nos postos de saúde.
O HPV é um vírus comum, transmitido principalmente por via sexual. Estima-se que 80% da população será exposta ao vírus, mas nem todos desenvolverão câncer. A vacinação é uma forma eficaz de prevenção, reduzindo a incidência de câncer de colo de útero e outras lesões.
Atualmente, 86% das meninas e 74% dos meninos de 9 a 14 anos no Brasil estão vacinados, indicando que ainda há um caminho a percorrer para atingir a meta do PNI. A vacinação nas escolas é vista como uma solução para aumentar a cobertura vacinal entre adolescentes.
Com a experiência de Santos, Kfouri acredita que as iniciativas de sucesso podem ser replicadas em outras regiões, utilizando ferramentas digitais para facilitar o acesso à vacinação.


