No último domingo, o Papa Leão XIV pediu um cessar-fogo imediato na guerra envolvendo o Irã, fazendo suas declarações mais contundentes sobre o conflito até o momento. Ele pediu aos líderes responsáveis pela luta que interrompessem a violência após ataques mortais que atingiram escolas e áreas civis.
As declarações foram feitas ao final da bênção dominical no Vaticano, onde o Papa apelou para que os líderes envolvidos no conflito buscassem o diálogo em vez da escalada militar contínua.
“”Em nome dos cristãos do Oriente Médio e de todos os homens e mulheres de boa vontade, apelo aos responsáveis por este conflito. Cessar fogo para que as vias do diálogo possam ser reabertas. A violência nunca pode levar à justiça, estabilidade e paz que o povo espera”,”
afirmou Leão.
Embora não tenha mencionado os Estados Unidos ou Israel diretamente, o Papa pareceu fazer referência a um ataque nos primeiros dias da guerra que atingiu uma escola no Irã, resultando na morte de mais de 165 pessoas, muitas delas crianças. Autoridades dos EUA informaram que o ataque pode ter sido baseado em informações desatualizadas, e uma investigação sobre o incidente está em andamento.
O Papa expressou estar particularmente próximo das famílias das vítimas que foram mortas em ataques que atingiram escolas, hospitais e áreas residenciais durante o conflito. Ele também manifestou preocupação com o impacto da luta no Líbano, onde grupos de ajuda alertaram que o conflito em escalada poderia desencadear uma crise humanitária.
As comunidades cristãs no sul do Líbano são uma preocupação especial para o Vaticano, já que são vistas como uma presença importante para os cristãos em uma região predominantemente muçulmana. Durante as duas semanas desde o início do conflito, Leão limitou seus comentários públicos a apelos mais amplos por paz e diálogo, evitando referências diretas aos EUA ou Israel, em uma postura consistente com a tradição de neutralidade diplomática do Vaticano.
No entanto, alguns líderes católicos adotaram uma postura mais direta em relação ao conflito. O Cardeal Robert McElroy, arcebispo de Washington, descreveu a guerra como moralmente injustificável, enquanto o Cardeal Blase Cupich, de Chicago, criticou a Casa Branca por compartilhar postagens nas redes sociais sobre a guerra que incluíam imagens de estilo de videogame.
Enquanto isso, o Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, rejeitou a caracterização de Washington de que a luta é uma “guerra preventiva”, mas afirmou que a Santa Sé continua a manter linhas de comunicação abertas com todos os lados.
“”A Santa Sé fala com todos. Quando necessário, falamos também com os americanos, com os israelenses e mostramos a eles quais são as soluções para nós”,”
disse Parolin.


