O cenário que antes favorecia um ciclo de corte de juros pelo Banco Central se tornou incerto após o início do conflito no Oriente Médio e a volatilidade nos preços do petróleo. O Ministério da Fazenda revisou para cima a projeção da inflação de 2026, considerando o impacto dos preços das commodities.
O recente reajuste no preço do diesel terá efeitos diretos e indiretos na inflação brasileira, conforme análise de especialistas. Lucinda Pinto, analista de Economia, destacou que o efeito direto do aumento é pequeno, mas o efeito cascata pode ser significativo.
““O transporte de alimentos ou de outros produtos, tudo isso pode trazer um impacto que é calculado pelos economistas como algo 0,10 ponto a 0,30 ponto percentual adicionalmente à inflação”, explicou Lucinda.”
Com isso, se o IPCA fosse projetado em 4% para este ano, poderia ficar entre 4,1% e 4,3% devido ao reajuste do diesel. Além disso, há consenso entre especialistas de que, se o preço do petróleo permanecer elevado, a Petrobras poderá realizar um segundo reajuste no diesel e também na gasolina.
““E se acontecer na gasolina, o impacto é bem mais forte. As estimativas são de que para cada 10% de aumento da gasolina, a inflação suba 0,15 ponto percentual”, alertou a analista.”
Outros indicadores econômicos também contribuíram para a perda de força do cenário favorável ao corte de juros. A inflação medida pelo IPCA subiu 0,7% em fevereiro, superando as expectativas. As vendas no varejo avançaram 0,4% em janeiro, indicando um consumo vigoroso, enquanto o desemprego atingiu o menor nível da história.
Esses fatores levaram os economistas a projetar uma inflação mais próxima de 4,5% do que de 4%, sendo que a meta de inflação é de 3%. Diante desse quadro, o mercado começou a revisar as expectativas para a taxa de juros.
““O mercado começando a questionar se vai ter um corte de 0,25 ponto percentual ou se simplesmente o Banco Central vai esperar mais um pouco para começar o ciclo”, explicou Lucinda Pinto.”
A expectativa de um corte de 0,50 ponto percentual foi reduzida para 0,25, e agora há a possibilidade de que não haja corte algum na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).
Outro fator que preocupa o mercado é o impacto fiscal da isenção de PIS/Cofins sobre o diesel. O governo afirmou que os R$ 30 bilhões que deixará de arrecadar seriam compensados com a taxação das exportações, mas a avaliação do mercado é que essa conta não fechará, complicando ainda mais o trabalho do Banco Central no controle da inflação.

