A Usina Hidrelétrica de Itaipu, localizada às margens do rio Paraná, é um símbolo de cooperação entre Brasil e Paraguai. Com uma potência instalada de 14 mil megawatts, a usina é um dos mais bem-sucedidos projetos de integração energética do mundo.
A estrutura tarifária de Itaipu, que por décadas esteve atrelada à amortização de uma dívida histórica, passou por uma transformação significativa. Em fevereiro de 2023, a dívida foi quitada, totalizando cerca de US$ 63,3 bilhões investidos ao longo de cinco décadas.
O valor histórico dos ativos de Itaipu é de US$ 17,7 bilhões, sendo aproximadamente US$ 12 bilhões de investimento direto e US$ 5,7 bilhões de encargos financeiros. Com a extinção desse passivo, o debate tarifário agora se concentra em uma reflexão estratégica sobre o futuro da tarifa.
A tarifa de Itaipu não é apenas uma questão econômica, mas um instrumento de soberania energética e desenvolvimento compartilhado. Diferentemente de outras geradoras, Itaipu opera sob um regime jurídico e financeiro próprio, estabelecido pelo Tratado de Itaipu de 1973.
A formação da tarifa é baseada na estrutura de custo do serviço, assegurando a cobertura das obrigações da empresa. Com a quitação da dívida, a tarifa agora reflete custos operacionais, investimentos em modernização, compromissos socioambientais e royalties.
Para o Brasil, Itaipu gera em média cerca de 80 mil gigawatts-hora por ano, enquanto para o Paraguai, a usina representa aproximadamente 85% da eletricidade consumida no país. O debate tarifário, portanto, assume uma dimensão geopolítica e de desenvolvimento nacional.
O setor elétrico brasileiro passa por profundas transformações, com a expansão das fontes eólica e solar. A energia de Itaipu se torna estratégica, complementando a estabilidade do sistema. A discussão sobre a tarifa deve ser baseada em dados e diálogo institucional, respeitando a soberania de ambos os países.
A governança binacional de Itaipu é dinâmica, com acordos recentes ajustando compensações financeiras e permitindo ao Paraguai vender energia diretamente ao mercado brasileiro. No entanto, as tensões entre os interesses do Brasil e do Paraguai permanecem, reforçando a necessidade de rigor técnico e transparência.
O desafio atual é estratégico: garantir que Itaipu continue a ser um instrumento de estabilidade e confiança pública para Brasil e Paraguai nas próximas décadas.


