A transição energética tem ganhado destaque no setor de energia, tanto para empresas operadoras quanto para o mercado financeiro. A urgência em mitigar as mudanças climáticas tem impulsionado o debate sobre a transição, que frequentemente se concentra na rápida substituição de fontes fósseis por renováveis. No entanto, eventos geopolíticos recentes, como conflitos no Oriente Médio e na Europa, evidenciam os desafios dessa transição abrupta, ressaltando questões de segurança energética e elevados custos associados.
Em resposta a esses desafios, surge a proposta da ‘evolução energética’ como uma alternativa mais pragmática e segura. A transição energética tradicional implica uma mudança rápida na matriz energética, visando a substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis. Embora essa abordagem tenha méritos ambientais, pode negligenciar aspectos cruciais como a segurança do suprimento e a estabilidade econômica.
A Evolução Energética sugere uma transformação mais ampla, gradual e adaptativa, incorporando tecnologias que permitam a descarbonização das fontes fósseis existentes, sem comprometer a confiabilidade do sistema energético. Estudos indicam que a descarbonização, quando realizada de forma estratégica, pode melhorar a segurança energética, reduzindo a dependência de importações de combustíveis fósseis e diversificando as fontes de energia.
Uma das estratégias centrais na Evolução Energética é a implementação de tecnologias de captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS). Essas tecnologias permitem a continuidade do uso de combustíveis fósseis, enquanto reduzem significativamente as emissões de CO₂. De acordo com a IEA (Agência Internacional de Energia), o CCUS pode ser aplicado em usinas de energia e instalações industriais, capturando o CO₂ antes que ele seja liberado na atmosfera e armazenando-o em formações geológicas profundas.
Além disso, o CCUS é relevante para setores de difícil descarbonização, como a produção de cimento, aço e produtos químicos, onde alternativas viáveis ainda são limitadas. Diversas tecnologias estão sendo desenvolvidas para viabilizar a descarbonização do setor energético, mesmo com o uso contínuo de combustíveis fósseis.
As zeólitas, por exemplo, são materiais porosos com alta capacidade de adsorção seletiva de CO₂, aplicáveis em processos industriais e geração de energia. Outro avanço é o desenvolvimento de um pó amarelo baseado em Materiais Orgânicos Covalentes (COFs), capaz de absorver CO₂ do ar com alta eficiência. O Microbial Electrolysis Carbon Capture (MECC) utiliza células de eletrólise microbiana para capturar CO₂ durante o tratamento de águas residuais, resultando em emissões líquidas negativas de carbono.
A tecnologia CO₂-Plume Geothermal (CPG) combina o armazenamento geológico de CO₂ com a geração de energia geotérmica, enquanto o looping de cálcio utiliza óxido de cálcio para capturar CO₂ de gases de combustão. A segurança energética está intrinsecamente ligada à segurança nacional, e uma matriz energética resiliente e diversificada aumenta a autonomia do país e reduz a vulnerabilidade a choques externos.
A evolução energética propõe uma trajetória equilibrada para a descarbonização, reconhecendo a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, ao mesmo tempo em que preserva a segurança e a estabilidade do sistema energético. Essa abordagem pragmática pode facilitar uma transição mais segura e economicamente viável para um futuro energético sustentável.


