Universidades públicas brasileiras estão estabelecendo diretrizes sobre o uso de inteligência artificial (IA) em trabalhos acadêmicos. A Universidade Estadual Paulista (Unesp) divulgou um guia que classifica as práticas em três categorias: o que pode, o que não pode e o que depende.
Na categoria ‘pode’, a Unesp permite traduzir textos, parafrasear parágrafos, elaborar resumos, revisar textos, criar esboços e gerar conteúdos multimídia, desde que a tradução seja revisada. Já na categoria ‘não pode’, está a submissão de trabalhos gerados por IA como se fossem originais, plágio, uso em avaliações sem autorização, e a produção de desinformação.
“Em um trabalho de conclusão de curso, o que nós esperamos é que o aluno não utilize de forma integral a inteligência artificial para a construção do seu texto”, afirmou Denis Salvadeo, professor da Unesp e um dos autores do guia.
A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) também aprovou regras específicas para a pós-graduação, enfatizando a necessidade de transparência no uso de IA. Luiz Leduíno de Salles Neto, docente da Unifesp, destacou que os autores devem indicar onde usaram a tecnologia.
A Universidade Federal da Bahia (UFBA) lançou um guia que exige que os alunos descrevam a ferramenta de IA utilizada e o comando enviado. Adriano Peixoto, professor da UFBA, ressaltou que o uso indiscriminado da IA pode prejudicar o desenvolvimento das habilidades de raciocínio dos alunos.
A Universidade Federal do Ceará (UFC) proíbe que a IA redija seções substantivas de trabalhos de pesquisa e exige que os trabalhos sejam submetidos a sistemas que detectam o uso de IA, embora especialistas alertem que essas ferramentas não são 100% confiáveis.
Tadeu da Ponte, especialista em inteligência artificial, afirmou que é necessário um protocolo de transparência entre professores e alunos, e que a mudança na cultura acadêmica é essencial para o uso adequado da IA. Ele sugeriu que as universidades ensinem tanto alunos quanto professores a utilizarem essas ferramentas de forma eficaz.
Além disso, a professora Márcia Azevedo Coelho, da Universidade de São Paulo (USP), destacou a importância de preparar alunos e professores para entender como os sistemas de IA funcionam, enfatizando que não são máquinas neutras.


