Lázaro Ramos estreia como vilão na novela ‘A Nobreza do Amor’, interpretando Jendal, um personagem manipulador e ambicioso. A trama, escrita por seu primo Elisio Lopes Jr., traz uma inspiração no personagem Iago, de ‘Otelo’, de William Shakespeare.
Ramos, conhecido por papéis carismáticos, afirmou: “Ele é manipulador, tirano. Para um ator, é maravilhoso fazer um personagem com tantas camadas”. O convite para o papel partiu do próprio ator, que se encantou pela história após ler os primeiros capítulos e pediu para interpretar o antagonista.
“Eu devorei os seis primeiros capítulos e falei: ‘Eu não só gostei como eu quero fazer. Por favor, me chama’. Depois que eu me toquei que era vilão — e que eu nunca tinha feito um — percebi também que nunca tinha sonhado em interpretar um. Acho que foi o personagem que me convocou”, contou.
Com mais de 30 anos de carreira, Lázaro disse que Jendal trouxe a ele o entusiasmo de quem está começando. “Estou estudando como se fossem minhas primeiras peças. Acho isso tão lindo. Depois de tanto tempo, resgatar essa paixão pela carpintaria da profissão”, afirmou.
Para desenvolver seu vilão, ele estudou materiais específicos e chamou um diretor de teatro para auxiliá-lo. “Fui reler o Otelo e a partir daí me deu um clique. Depois disso, eu mergulhei no texto. Entendi que tinha várias diferenças desses universos que podem inspirar. A gente tinha a chance de criar uma coisa única”, explicou.
A postura de Jendal, que é primeiro-ministro do reino fictício de Batanga, muda após um golpe de Estado. “Na primeira fase, é uma fase mais silenciosa, mais manipulador. Depois, quando ele fica com o poder nas mãos, se torna um tirano”, detalhou.
A rejeição da princesa Alika, prometida a Jendal ainda criança, intensifica seu comportamento. “Ele vira um bárbaro. A partir disso, ele diz, já que eu estou sofrendo, todo mundo vai sofrer também. Ele faz de tudo: joga gente no poço das serpentes, manda saquear um navio inteiro”, contou.
Lázaro Ramos reconhece que a função de Jendal é ser o grande antagonista. “Em tese, é para ele ser odiado. É para ninguém torcer por ele. As atitudes dele são todas reprováveis”, disse o ator. Diferente de seus outros trabalhos, ele adotou uma postura mais austera nos bastidores, criando uma cerimônia específica para chegar ao set.
“Nos primeiros meses de gravação, eu entendi que precisava de uma concentração diferente. Então criei uma certa cerimônia, um jeito específico de chegar ao set. Em cena, não interagia muito com as pessoas”, revelou.
Mesmo sem ter planejado interpretar um vilão, Lázaro afirmou que está se divertindo com a nova experiência. “Eu nunca tinha sonhado em fazer vilão, mas estou adorando. Se depender de mim, personagens controversos assim vão aparecer mais e mais”, concluiu.


