O presidente Donald Trump chegará a Pequim no final de março para uma cúpula com o presidente chinês Xi Jinping. A agenda oficial abordará tarifas, balanços comerciais, cadeias de suprimentos e Taiwan. No entanto, o verdadeiro tema em pauta será a guerra no Irã.
Em 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel lançaram a Operação Epic Fury, uma campanha conjunta visando a infraestrutura militar, nuclear e de comando do Irã. O líder supremo, Ayatollah Ali Khamenei, foi morto nos ataques iniciais, um golpe significativo para um regime que atuou na região por quase cinco décadas. Dias depois, seu filho Mojtaba foi nomeado como sucessor, marcando uma transferência dinástica em uma teocracia que anteriormente rejeitava a regra hereditária.
A guerra continua, e suas consequências afetam a China mais do que Xi Jinping havia planejado. Tanto Moscovo quanto Pequim estão ajudando o Irã neste conflito. Vários oficiais dos EUA confirmaram que a Rússia tem compartilhado inteligência de satélites e alvos com Teerã, incluindo a localização de navios e aeronaves americanas no Oriente Médio. Esse suporte tem um custo, com sete militares americanos mortos em ataques iranianos.
O general aposentado David Petraeus afirmou que o apoio da inteligência russa provavelmente explica a precisão dos ataques iranianos. Ele pediu a Trump que apoiasse a legislação de sanções contra a Rússia, que conta com o apoio de mais de 90 senadores. O ministro das Relações Exteriores do Irã não negou essa parceria, afirmando que a colaboração militar entre Irã e Rússia “ainda existe e continuará”.
A China, embora de forma menos direta, também enfrenta consequências significativas. Por anos, autoridades americanas alertaram que empresas chinesas têm fornecido tecnologia para os programas de mísseis e armas do Irã. O Departamento do Tesouro dos EUA sancionou repetidamente empresas chinesas por fornecer materiais relacionados a mísseis a Teerã.
Em 2025, a China importava aproximadamente 1,38 milhão de barris de petróleo iraniano por dia, representando cerca de 13% de suas importações de petróleo por via marítima. Com o conflito, o Estreito de Ormuz, que é crucial para o transporte de petróleo, está efetivamente fechado para o tráfego de petroleiros, resultando em custos crescentes de energia e interrupções nas cadeias de suprimento para a China.
O governo dos EUA intensificou a repressão à “frota sombra”, que transporta petróleo iraniano e russo para refinarias chinesas. O Departamento do Tesouro sancionou dezenas de empresas de transporte e embarcações ligadas ao contrabando de petróleo iraniano. A pressão sobre Pequim aumenta, pois a China não pode substituir rapidamente o petróleo iraniano e enfrenta um crescimento do PIB projetado em apenas 4,5%, o mais baixo em mais de três décadas.
A cúpula em Pequim não deve ser apenas uma negociação comercial, mas uma confrontação estratégica. Trump deve entrar ciente do que deseja alcançar. A China precisa interromper o fornecimento de tecnologia de mísseis ao Irã e lidar com as sanções sobre as compras de petróleo. As restrições de exportação de terras raras da China, impostas em retaliação às tarifas dos EUA, também precisam ser abordadas.


