A paralisação parcial dos rodoviários do sistema urbano de São Luís chegou ao quarto dia nesta segunda-feira, 16 de março de 2026, sem previsão de acordo entre trabalhadores e empresas.
Segundo o Sindicato dos Rodoviários do Maranhão (Sttrema), a greve é motivada pelo não pagamento do reajuste salarial de 5,5%, determinado pela Justiça em janeiro, após uma paralisação de oito dias. Nas primeiras horas da manhã, quem saiu de casa para trabalhar, estudar ou cumprir outros compromissos não encontrou nenhum ônibus urbano circulando.
Sem o serviço, milhares de passageiros enfrentaram atrasos, longas esperas e custos maiores com transportes alternativos. Os ônibus do sistema semiurbano, que atende bairros dos municípios de Paço do Lumiar, Raposa e São José de Ribamar, seguem circulando normalmente, mas sem entrar nos terminais de integração de São Luís.
O presidente do Sttrema, Marcelo Brito, informou que, até o momento, a entidade não havia sido chamada para negociar o impasse que motiva a greve. Ele afirma que não há nenhuma reunião marcada para tentar avançar nas tratativas e buscar uma solução para a paralisação.
Esta é a segunda vez, em menos de três meses, que São Luís enfrenta uma greve de ônibus. De acordo com o sindicato, cerca de 4,5 mil a 5 mil trabalhadores atuam atualmente no sistema de transporte público da Grande São Luís.
A Prefeitura de São Luís alega que vem cumprindo regularmente todas as suas obrigações financeiras com o sistema de transporte público e que os repasses do subsídio às empresas estão sendo realizados em dia, sem qualquer dedução ou atraso. Entretanto, para reduzir os impactos da greve, o Município liberou vouchers em um aplicativo de transporte para garantir o deslocamento dos usuários do sistema de transporte público.
Além disso, o Município informou que ingressou na quinta-feira, 12 de março, com uma ação na Justiça do Trabalho pedindo a declaração de abusividade da greve e adoção de medidas que assegurem a circulação mínima do transporte coletivo.
“A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) informa que a greve decorre do não cumprimento, por parte das empresas de ônibus, da decisão recente da Justiça do Trabalho que determinou a implementação de reajuste salarial e a concessão de benefícios aos trabalhadores rodoviários.”
O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) esclareceu que o subsídio pago atualmente pela Prefeitura ainda é o mesmo de janeiro de 2024, mesmo com dois reajustes salariais concedidos aos trabalhadores rodoviários e aumento em todos os outros custos do serviço.
O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) conduz um inquérito civil que apura falhas na prestação do serviço, paralisações recorrentes, problemas estruturais e possíveis irregularidades na gestão e operação do sistema de transporte da capital.


