O cometa interestelar 3I/ATLAS, descoberto em julho do ano passado, chamou a atenção da comunidade científica por sua origem fora do Sistema Solar. Agora, novos estudos sugerem que ele pode ser um dos corpos mais antigos a atravessar essa região, com idade estimada entre 10 e 12 bilhões de anos.
A hipótese foi levantada a partir de análises realizadas com imagens do telescópio James Webb Space e modelos dinâmicos que buscam reconstruir a história do cometa antes de sua chegada à região do Sol. O trabalho foi conduzido por uma equipe internacional liderada pelo astrônomo Matthew J. Hopkins, do Departamento de Física da University of Oxford.
Para estimar a idade do cometa, os cientistas analisaram sua trajetória pela galáxia e a velocidade em relação às estrelas próximas ao Sol. O estudo utilizou dados do satélite Gaia para comparar o movimento do objeto com diferentes populações estelares da Via Láctea.
Os resultados indicam que o cometa provavelmente se originou no disco espesso da galáxia, uma região composta por estrelas muito antigas. “O 3I/ATLAS apresenta uma oportunidade fantástica de estudar um sistema planetário diferente, distante e possivelmente já morto”, afirmou Hopkins.
A possibilidade de o cometa ser mais antigo que o próprio Sistema Solar, que tem cerca de 4,6 bilhões de anos, é relevante para os cientistas, pois pode preservar material formado quando a Via Láctea ainda estava em estágios iniciais de evolução.
Diferentemente dos cometas que nasceram ao redor do Sol e foram alterados ao longo do tempo, um visitante interestelar como o 3I/ATLAS pode carregar registros químicos quase intactos de ambientes estelares primitivos. Para os astrônomos, ele funciona como um “fóssil cósmico”, capaz de revelar como eram os discos de gás e poeira que deram origem a planetas em sistemas estelares muito antigos.
Embora seja impossível determinar exatamente qual estrela deu origem ao cometa, os pesquisadores acreditam que ele pode ter vagado pela galáxia por bilhões de anos antes de cruzar a região do Sol.
A passagem de objetos interestelares como o 3I/ATLAS abre uma nova frente de investigação na astronomia. Em vez de observar apenas planetas e discos protoplanetários distantes, os cientistas passam a estudar fragmentos físicos de outros sistemas estelares que chegam até o próprio Sistema Solar.
À medida que novos visitantes desse tipo forem identificados, eles poderão ajudar a reconstruir a história química da galáxia e compreender melhor como surgiram planetas e sistemas solares ao longo do tempo.


