A prestação de contas do terceiro quadrimestre, apresentada pelo prefeito Sandro Mabel (União Brasil) na Câmara Municipal, revelou que parte das transferências federais para Goiânia registrou queda em 2025.
Os repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) diminuíram em relação ao ano anterior, enquanto apenas os recursos vinculados ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) apresentaram crescimento.
Apesar desse cenário, a arrecadação própria do município compensou a redução e permitiu que a receita total superasse R$ 10 bilhões no ano. As transferências correntes provenientes da União e de outras esferas de governo somaram R$ 4,06 bilhões em 2025, crescimento nominal de 3,18%.
No entanto, quando se observa o detalhamento das fontes, o comportamento dos repasses federais foi desigual e, em alguns casos, negativo. O FPM, uma das principais fontes de financiamento das administrações locais, apresentou retração significativa, passando de R$ 649,9 milhões em 2024 para R$ 598,5 milhões em 2025, queda de 7,91%.
A redução acompanha oscilações na arrecadação federal de impostos que compõem o fundo e impacta diretamente o fluxo de recursos disponíveis para custeio das prefeituras. Outro recuo expressivo ocorreu nos repasses do FNAS, que diminuíram de R$ 15,7 milhões para R$ 8,2 milhões, redução de 47,68%.
Na área da saúde, os recursos transferidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) registraram crescimento nominal, passando de R$ 895 milhões para R$ 930 milhões, alta de 3,99%. No entanto, quando descontada a inflação do período, o valor representa praticamente estabilidade real.
Entre os fundos federais analisados, apenas os recursos do FNDE apresentaram crescimento mais expressivo, com transferências passando de R$ 66,2 milhões em 2024 para R$ 77,2 milhões em 2025, aumento de 16,53%. Esses recursos são destinados a programas educacionais federais.
A receita total do município chegou a R$ 10,03 bilhões em 2025, crescimento nominal de 9,64% em relação a 2024. Considerando a inflação de 4,26% medida pelo IPCA no período, o aumento real da arrecadação foi de 5,16%.
O principal motor desse crescimento foi a arrecadação de tributos municipais. O Imposto Sobre Serviços (ISS) liderou a receita própria, com R$ 1,5 bilhão arrecadado no ano, crescimento de 12,38%. O IPTU somou R$ 1,18 bilhão, enquanto o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) alcançou R$ 691,8 milhões, avanço de mais de 30%.
As taxas municipais somaram R$ 182,9 milhões. No total, os tributos próprios da prefeitura chegaram a R$ 3,94 bilhões, crescimento de 13,47% em relação ao ano anterior.
A despesa total empenhada em 2025 foi de R$ 9,44 bilhões, queda nominal de 0,95% em comparação com 2024. Em termos reais, a redução chega a cerca de 5%, considerando a inflação do período.
As despesas correntes somaram R$ 8,27 bilhões e registraram queda de 3,5%. Já os gastos com pessoal ficaram em 45,97% da Receita Corrente Líquida do município, abaixo do limite máximo de 54% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Enquanto o custeio apresentou retração, os gastos voltados à formação de capital público cresceram de forma significativa. As despesas de capital chegaram a R$ 612,9 milhões, aumento de 18,77% em relação ao exercício anterior. Os investimentos públicos saltaram de R$ 320 milhões em 2024 para R$ 501,1 milhões em 2025, expansão de 56,56%.


