O GPA (Grupo Pão de Açúcar) e a Raízen foram retirados do Ibovespa e de outros índices da B3 nesta segunda-feira, 16 de março de 2026. A exclusão ocorreu após as companhias anunciarem processos de recuperação extrajudicial.
O GPA comunicou seu acordo com credores na terça-feira, 10 de março, enquanto a Raízen fez o mesmo na quarta-feira, 11 de março. A B3 confirmou que a retirada dos papéis seguiu os termos do Manual de Definições e Procedimentos dos Índices da bolsa brasileira.
No caso do GPA, os papéis passaram a ser negociados sob o título de “Recuperação Extrajudicial” a partir do dia 11. Os papéis da Raízen foram classificados da mesma forma no dia 12. A exclusão dos índices ocorreu ao preço de fechamento após o encerramento do pregão regular das datas mencionadas.
A carteira teórica do Ibovespa agora conta com 83 ativos. O processo de recuperação extrajudicial é menos abrangente que a recuperação judicial tradicional, focando em classes específicas de dívidas e com menor envolvimento da justiça.
Nos últimos 20 anos, foram registrados 288 casos de recuperação extrajudicial, com um recorde de 78 processos em 2025. Este ano, já são sete casos, incluindo GPA e Raízen, que figuram entre as dez maiores recuperações extrajudiciais da história.
O plano do GPA abrange obrigações de pagamento sem garantia, totalizando aproximadamente R$ 4,5 bilhões. Segundo a empresa, obrigações correntes com fornecedores, parceiros e clientes, assim como obrigações trabalhistas, não serão afetadas. O acordo foi autorizado de forma unânime pelo conselho de administração.
Em relação à Raízen, o plano envolve a renegociação de cerca de R$ 65,1 bilhões em obrigações, podendo a dívida total da companhia chegar a R$ 98,63 bilhões. A proposta foi apresentada de forma consensual com os principais credores financeiros, com mais de 47% das dívidas já aderindo ao plano.
Após a recuperação, a Raízen terá um standstill de 90 dias, suspendendo temporariamente o pagamento de juros. O plano pode incluir a conversão de parte das dívidas em participação acionária ou a substituição por novas dívidas, além de prever a possibilidade de capitalização do grupo por acionistas e reorganizações societárias.


