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Justiça

Advogado aponta histórico de ameaças de tenente-coronel contra ex-mulheres e policiais

Amanda Rocha
Última atualização: 16 de março de 2026 17:05
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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O advogado da família da soldada Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça, afirmou que o marido da vítima, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, possui um histórico de ameaças e perseguições contra mulheres. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (16).

Segundo o advogado Miguel Silva, existem registros policiais e decisões judiciais que indicam episódios de ameaças contra ex-companheiras e denúncias de assédio contra policiais militares mulheres subordinadas ao oficial. Ele criticou a Polícia Militar e o secretário da Segurança, afirmando que o tenente-coronel deveria ter sido afastado de suas funções antes da morte da policial.

““É um histórico ameaçador, um histórico perseguidor”, disse o advogado.”

Miguel Silva também revelou que uma ex-companheira do tenente-coronel registrou boletins de ocorrência contra ele entre 2009 e 2010, relatando perseguições e perturbações constantes. Em um dos registros, a mulher afirmou que o ex-marido mantinha vigilância sobre ela, impedindo que se relacionasse com outras pessoas e a ameaçando de morte.

““O autor mantém vigilância sobre a vítima, impedindo que ela se relacione com outras pessoas, ameaçando inclusive de morte”, afirmou.”

O advogado mencionou ainda um boletim de ocorrência de 2022, onde outra vítima relatou que estava sendo ameaçada dentro de seu apartamento. A defesa da família também citou um processo judicial de 2022, onde a Justiça reconheceu assédio moral contra uma policial militar subordinada ao tenente-coronel.

““Em 8 de julho de 2022, o servidor major Neto decidiu movimentar quatro policiais femininas para outro local de trabalho como forma de punição”, disse o advogado.”

Quase um mês após a morte de Gisele, a defesa do tenente-coronel sustenta a versão de que a soldado se suicidou. O caso, que ocorreu em 18 de fevereiro, está sendo investigado pela Polícia Civil como morte suspeita. O advogado Eugênio Malavasi, que defende o coronel, afirmou que a versão de suicídio será comprovada ao final da investigação.

““A defesa do tenente-coronel aguarda serenamente o desenrolar da apuração da Polícia Civil”, disse Malavasi.”

Por outro lado, o advogado da família de Gisele acredita que a morte foi um feminicídio cometido pelo marido. Ele afirmou:

““Eu não tenho dúvidas que ele [coronel Geraldo] matou ela [Gisele]. Mas cabe a polícia provar”.”

A investigação não descarta a hipótese de suicídio, mas também apura se Gisele foi vítima de feminicídio. A delegacia aguarda resultados de laudos complementares para concluir o inquérito.

O coronel Geraldo se afastou do trabalho após a morte de Gisele, mas participou da reconstituição do caso. O ex-marido de Gisele também prestou depoimento, afirmando que a soldado “nunca pensou em cometer suicídio”.

Gisele tinha 32 anos e o tenente-coronel 53. A versão de suicídio apresentada por Geraldo é contestada pela família, que pediu uma reavaliação do caso. A Polícia Civil reclassificou o episódio como morte suspeita, e a Justiça determinou a redistribuição do caso para a Vara do Júri.

Laudos periciais indicaram marcas de unhas e arranhões no pescoço da policial, além de lesões no rosto e sinais de disparo à queima-roupa. A investigação também analisa laudos que ainda estão pendentes, incluindo o laudo toxicológico e o laudo do local da morte.

A Polícia Militar instaurou um Inquérito Policial Militar após receber denúncias sobre a relação do casal, que era marcada por ameaças e instabilidade emocional. As investigações continuam em andamento.

TAGGED:Eugênio MalavasiFeminicídioGeraldo Leite Rosa NetoGisele Alves SantanaJustiçaMiguel SilvaPolíciaPolícia CivilPolícia MilitarSão Paulo
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