Pesquisadores da Universidade Federal do Amapá (Unifap) e do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa) encontraram microplásticos em peixes do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque. A pesquisa revelou a presença de fibras, fragmentos de filme plástico e glitter nos peixes coletados nos rios da região.
O estudo foi publicado em uma revista internacional de meio ambiente e indica que partículas invisíveis ao olho humano chegaram a uma área remota da Amazônia, possivelmente transportadas por ventos e nuvens. A mestranda Thayana Castro, que estuda o tema desde a graduação, foi a primeira a identificar microplásticos em peixes em 2022. Ela afirmou:
““Quando vi pela primeira vez essas partículas nos peixes, fiquei muito impactada. São invisíveis a olho nu, mas no microscópio revelam fibras, glitter, fragmentos de filme plástico. Isso mostra como o problema é silencioso e perigoso. É uma ameaça que precisa ser solucionada, porque afeta diretamente a reprodução e o crescimento dos animais.””
A equipe de pesquisa acredita que os microplásticos foram transportados pela atmosfera, com ventos e nuvens levando essas partículas até o Tumucumaque, onde a chuva as deposita no ambiente. Jefferson Vilhena, pesquisador do Núcleo de Hidrometeorologia e Energias Renováveis (Nhmet), explicou:
““Nós já sabemos que a poeira do Saara chega até aqui, trazendo areia e outros poluentes. O mesmo processo pode estar trazendo microplásticos. A chuva lava a atmosfera e deposita essas partículas no meio ambiente. É um ciclo invisível, mas que tem consequências muito reais.””
Para confirmar essa hipótese, os pesquisadores coletaram água da chuva em pontos do parque. Em uma amostra de 225 ml, foram encontradas 194 partículas de microplástico. Amanda Arnaud, graduanda em Ciências Biológicas, participou da coleta e comentou:
““Foi muito alarmante perceber que até a chuva carrega essas partículas. Em uma amostra pequena de água encontramos quase 200 fragmentos. Isso mostra que o problema está no ar que respiramos e na água que consumimos. É assustador, mas também gratificante poder contribuir com esse conhecimento e alertar a sociedade.””
Os pesquisadores alertam que os microplásticos podem afetar o crescimento e a reprodução dos peixes, tornando-os menores e mais frágeis. Além disso, já foi comprovada a presença dessas partículas em seres humanos, com possíveis impactos à saúde. Thayana reforçou:
““O microplástico já foi encontrado em peixes, aves e até em seres humanos. Ele pode comprometer a saúde, causar desequilíbrios e até mortandade de espécies. É um problema global e precisamos agir para reduzir esse impacto.””


