Estados Unidos e Israel dominam militarmente o conflito no Oriente Médio, mas enfrentam desafios econômicos impostos pelo Irã. O analista sênior de Internacional, Américo Martins, afirmou que os dois países conseguem atacar praticamente qualquer alvo dentro do território iraniano, sem grande oposição.
“Os Estados Unidos e Israel estão, do ponto de vista militar, vencendo esse conflito. Não há a menor dúvida”, declarou Martins. O presidente Donald Trump chegou a afirmar que os EUA destruíram praticamente toda a marinha e força aérea iranianas.
No entanto, o Irã encontrou uma forma eficaz de pressionar seus adversários, utilizando a economia como arma de guerra. O país conseguiu fechar o Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio global de petróleo, com armamentos simples e de baixo custo. “O Irã não precisa de uma marinha para atingir os petroleiros no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz”, explicou Martins.
Desde o início do confronto, 16 embarcações, entre cargueiros e petroleiros, foram atacadas nas águas do Golfo e do Estreito de Ormuz, impactando significativamente os preços do petróleo e a inflação mundial. “O Irã hoje é uma superpotência em termos de drones, fabrica muitos drones. Explosivos até improvisados podem ser lançados contra os navios”, destacou Martins.
Diante desse cenário, Trump tem pressionado aliados europeus a enviarem ajuda militar para tentar liberar o Estreito de Ormuz. No entanto, os principais países da Europa estão resistindo a essa ideia. O ministro da Defesa da Alemanha questionou ironicamente: “O que Donald Trump espera que algumas fragatas europeias possam fazer no Estreito de Ormuz que a poderosíssima marinha dos Estados Unidos não possa?”.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, foi mais cauteloso e afirmou que o Reino Unido “não vai ser dragado para a guerra”, embora esteja disposto a discutir possíveis ações para proteger Ormuz.
Martins concluiu que não existe uma solução militar para este impasse. “Você pode mandar muitos navios da Marinha Americana, da Marinha de vários países da Europa para o Estreito de Ormuz, e eles podem ser atacados por esses armamentos simples”, alertou. Ele ressaltou o impacto negativo que um grande navio ocidental sendo atingido poderia ter do ponto de vista da propaganda.
Para o analista, a resolução do conflito passa necessariamente por algum tipo de negociação com o Irã, que está usando estrategicamente o petróleo e a economia para pressionar os adversários, enquanto busca garantir a sobrevivência do regime.


