A escolha do candidato presidencial do Partido Social Democrático (PSD) para 2026 está em fase decisiva. O presidente da sigla, Gilberto Kassab, deve anunciar sua decisão até o fim de março entre três nomes: Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite.
Nos bastidores, aliados de Caiado afirmam que o governador aposta em uma estratégia calculada, visando atrair o eleitorado mais conservador para ganhar espaço nas pesquisas e convencer Kassab de sua competitividade nacional. No entanto, essa abordagem pode colocá-lo em um terreno semelhante ao do senador Flávio Bolsonaro.
A estratégia de Caiado inclui dialogar com pautas que são valorizadas pela direita, como a defesa de anistia a manifestantes dos atos de 8 de janeiro, com o objetivo de aumentar sua visibilidade entre os eleitores conservadores. A expectativa é que, quanto mais conhecido ele se tornar nesse segmento, maiores sejam suas chances de superar os rivais internos.
Atualmente, Ratinho Júnior lidera a preferência interna, apresentando melhores índices nas pesquisas eleitorais. O colunista Mauro Paulino observa que a estratégia de Caiado pode beneficiar Flávio Bolsonaro, uma vez que ao tentar atrair o eleitor bolsonarista, os candidatos do PSD competem no mesmo espaço político que o herdeiro do bolsonarismo.
““Estariam trafegando em terrenos muito similares”, afirma Paulino.”
Ele destaca que tanto Caiado quanto Ratinho Júnior têm se envolvido em manifestações e discursos próximos ao campo bolsonarista, o que dificulta a construção de uma alternativa verdadeiramente distinta.
A tentativa de criar uma versão mais moderada do discurso conservador não é exclusiva do PSD. Flávio Bolsonaro também busca adotar um tom menos radical do que o associado ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
““Convencer o eleitorado de que são bolsonaristas, mas menos radicais que o bolsonarista original, é um desafio”, diz Paulino.”
Historicamente, candidaturas que tentam ocupar o espaço entre o bolsonarismo e o centro político enfrentam dificuldades para ultrapassar dois dígitos nas pesquisas. Paulino acredita que essa tendência pode se repetir.
““É muito difícil que uma candidatura alternativa ultrapasse os 10%, como já vimos em eleições anteriores.””
Assim, a decisão do PSD, prevista para o fim de março, pode não apenas definir o candidato do partido, mas também determinar o espaço disponível para uma alternativa ao bolsonarismo na direita brasileira.


