Cautela de aliados dos EUA evidencia complexidade da crise com o Irã

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou a cobrança para que aliados enviem navios ao Estreito de Ormuz. Durante seus mandatos, Trump frequentemente criticou os aliados da Otan, mas sua recente afirmação de que a falta de segurança no estreito seria ‘muito ruim para o futuro da Otan’ chamou a atenção.

O ex-chefe do Estado-Maior do Reino Unido, general Nick Carter, comentou que ‘a Otan foi criada como uma aliança de defesa’ e não para que um aliado iniciasse uma guerra, obrigando os demais a seguir. A ironia é notável, considerando que Trump, há dois meses, reivindicou a Groenlândia, território da Dinamarca, outro membro da Otan.

Um porta-voz do governo alemão afirmou que a guerra com o Irã ‘não tem nada a ver com a Otan’. O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, questionou a eficácia de algumas fragatas europeias, dizendo: ‘O que Trump espera de algumas poucas fragatas europeias que a poderosa Marinha americana não pode fazer?’.

A crise no Golfo, que se intensificou com o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, exige uma solução urgente. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, mencionou que estão em andamento conversas para elaborar um ‘plano viável’ com os EUA e parceiros europeus, mas ainda não há decisões.

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Starmer também fez referência a sistemas autônomos de busca de minas na região. O navio caça-minas HMS Middleton está em manutenção no Reino Unido, e a Marinha Real Britânica deve oferecer drones marinhos para detectar minas. O ex-comandante da Marinha Real Britânica, Tom Sharpe, destacou que a tecnologia atual não foi testada em combate.

Trump indicou que manter o Estreito de Ormuz aberto pode envolver ataques ao litoral iraniano, buscando ‘quem derrube pessoas más que estão ao longo do litoral’. No entanto, poucos aliados estão dispostos a se envolver em uma missão que possa incluir o deslocamento de tropas em terra.

A Alemanha já declarou que não participará com suas forças armadas para garantir a segurança do estreito. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, expressou o desejo de reforçar operações navais no Oriente Médio, mas os ministros europeus se opuseram a ampliar a missão naval existente no mar Vermelho.

O presidente da França, Emmanuel Macron, demonstrou disposição para formar uma coalizão para escoltar navios, mas isso só ocorrerá após a ‘fase mais quente’ do conflito. A operação de escolta enfrentaria ameaças de várias direções, tornando-a complexa.

Atualmente, os aliados de Trump hesitam em se envolver na questão do Irã, cientes de que a inação não é uma opção. Starmer ressaltou que a solução deve envolver ‘o máximo de parceiros possível’, mas os militares britânicos precisam de garantias substanciais antes de qualquer deslocamento.

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