O Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru, em São Paulo, anunciou uma série de medidas para aumentar a segurança hídrica do município. As ações foram publicadas no Diário Oficial no último sábado, dia 14 de março de 2026, e incluem o desassoreamento da Lagoa do Rio Batalha e a contratação de equipamentos para manutenção do principal manancial de abastecimento da cidade.
As medidas são implementadas enquanto o município mantém o rodízio no fornecimento de água, adotado devido à estiagem e à redução do nível do Rio Batalha. A prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (PSD), afirmou:
““Essas ações fazem parte do programa Água de Todos, que envolve iniciativas do DAE e da prefeitura. O departamento já publicou o início do processo de desassoreamento do Rio Batalha, algo esperado há muitos anos.””
O programa também inclui a perfuração de poços, elevatórias, adutoras e reservatórios, financiados por um empréstimo de R$ 40 milhões. A autorização para a contratação do serviço de limpeza e desassoreamento da lagoa de captação do Rio Batalha foi publicada, com o objetivo de ampliar o volume de reservação em aproximadamente 90 mil metros quadrados, por meio da sucção e retirada da areia acumulada ao longo dos anos. O serviço será executado pela empresa Allonda Ambiental Ltda., com contrato estimado em R$ 6,7 milhões.
A assinatura do contrato deve ocorrer nos próximos dias, e o prazo para mobilização e início das atividades será de até 10 dias úteis, com execução prevista em até cinco meses. A expectativa é aumentar a segurança hídrica para cerca de 100 mil moradores abastecidos pelo sistema do Rio Batalha, especialmente durante períodos de seca. Os recursos virão, em sua maior parte, do Fundo de Recuperação da Bacia Hidrográfica, criado por lei municipal em 2019, além de dotação orçamentária própria da autarquia.
Além disso, foi publicada a contratação de uma escavadeira hidráulica anfíbia, destinada às atividades de limpeza, desassoreamento e manejo da lagoa de captação, do canal principal do Rio Batalha e de seus afluentes. O contrato tem valor de R$ 2,17 milhões, com vigência de 180 dias a partir da assinatura, realizada em 9 de março. A previsão de entrega do equipamento é de até 60 dias corridos.
O município também avança na implantação do complexo hídrico Val de Palmas, que prevê a perfuração de quatro poços profundos para captação de água do Aquífero Guarani, além da construção de adutora e reservatórios. Até o momento, apenas o poço P2 teve perfuração iniciada, em outubro de 2025, e já atingiu 404 metros de profundidade, sendo necessário chegar a cerca de 600 metros para alcançar a vazão necessária.
A prefeita Suéllen Rosim comentou sobre o complexo:
““O complexo será entregue por etapas, e a expectativa é concluir todo o sistema até o final do próximo ano, com uma primeira fase ainda prevista para este ano.””
O financiamento das demais etapas ainda gera questionamentos, pois o empréstimo de R$ 40 milhões junto à Caixa Econômica Federal ainda não foi efetivado. A prefeitura reorganiza o orçamento de 2026 para viabilizar a obra com recursos próprios até a liberação do financiamento.
O racionamento de água, iniciado em agosto do ano passado, continua em vigor, com ajustes conforme a variação do nível da represa. Em outubro, o esquema foi mais rigoroso, com divisão da cidade em três grupos, onde dois deles ficaram até três dias consecutivos sem abastecimento. O DAE afirma que a medida segue fundamentada no Decreto Municipal, que declarou estado de emergência por escassez hídrica no município.
Apesar da estabilização momentânea provocada por chuvas recentes, o DAE ressalta que o elevado grau de assoreamento limita a capacidade de reservação e exige cautela na gestão da água disponível. Em casos emergenciais de falta de água, moradores podem solicitar atendimento pelo telefone 0800 771 0195.


