Um estudo recente do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique aponta que o reflorestamento na Amazônia é fundamental para o resfriamento global. A pesquisa destaca que a localização das árvores plantadas é mais relevante do que a quantidade em si.
Os pesquisadores analisaram três cenários globais de reflorestamento, considerando a absorção de carbono, a reflexão da luz solar (albedo), a evapotranspiração e as alterações nas superfícies terrestres. Para isso, foram realizadas simulações em um modelo climático completo, utilizando o supercomputador Euler e gerando 300 terabytes de dados ao longo de quatro meses.
Os resultados mostraram que, apesar das diferenças de até 450 milhões de hectares de área reflorestada, dois cenários apresentaram efeitos de resfriamento global quase equivalentes. Isso indica que a Amazônia possui o maior potencial de resfriamento climático, além de armazenar carbono de forma eficiente.
A pesquisa também identificou outras regiões com alta eficiência, como a África Ocidental e o Sudeste Asiático. Em contrapartida, áreas de altas latitudes, como Sibéria, Canadá e Alasca, podem ter efeitos opostos, onde árvores escuras sobre a neve podem provocar aquecimento local.
Além disso, o estudo revela que novas florestas podem alterar padrões de vento e precipitação em locais distantes. Nora Fahrenbach, autora principal do estudo, afirmou: “ao focar nos trópicos, o reflorestamento se torna muito mais eficiente como ferramenta de proteção climática. Plantar na Amazônia tem um efeito que nenhum plantio no norte do planeta consegue replicar.”
Embora o reflorestamento seja promissor, ele não substitui a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Nos cenários mais ambiciosos, a temperatura média global poderia cair até 0,25°C até 2100, um efeito considerado limitado diante da urgência de conter o aquecimento.
Fahrenbach também enfatiza que os reflorestamentos devem ser “climate-smart”, ou seja, planejados cientificamente para evitar monoculturas vulneráveis a doenças e incêndios, priorizando áreas que realmente trarão benefícios climáticos. O estudo critica ainda as políticas atuais, que muitas vezes tratam florestas apenas como sumidouros de carbono, sem considerar seus efeitos biológicos no clima.
Para o Brasil, os resultados ressaltam a importância de preservar e restaurar a Amazônia. Cada hectare plantado corretamente não apenas remove CO₂ da atmosfera, mas também contribui para o resfriamento do clima local e global, evidenciando que decisões nacionais podem ter um impacto significativo no planeta.


