A Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou que os países membros poderão liberar mais petróleo de suas reservas estratégicas conforme a necessidade. A declaração foi feita pelo diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, nesta segunda-feira, 16 de março de 2026.
Na semana passada, a AIE já havia concordado com a maior liberação de reservas da história para compensar a escassez e a alta dos preços do petróleo, que atualmente está acima de US$ 100 por barril. Essa alta é resultado da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que impactou o tráfego pelo Estreito de Ormuz, onde cerca de um quinto do petróleo mundial é transportado diariamente.
“Apesar dessa enorme liberação, ainda temos muitas reservas”, afirmou Birol, acrescentando que as reservas ainda contêm cerca de 1,4 bilhão de barris. Ele destacou que a ação rápida da AIE teve um impacto tranquilizador nos mercados, com os preços do petróleo mais baixos do que há uma semana.
Os contratos do petróleo Brent para maio de 2026 estavam sendo negociados a mais de US$ 100 o barril por volta das 14h30, horário de Brasília, nesta segunda-feira. Esse valor representa um aumento de cerca de US$ 10 em relação ao momento em que a liberação das reservas foi anunciada, em 11 de março, mas ainda está abaixo da máxima de quase quatro anos de US$ 119,50 registrada em 9 de março.
Analistas, como Felipe Elink Schuurman, CEO da Sparta Commodities, questionam se a liberação de reservas será suficiente para superar as interrupções no fornecimento. Ele observou que as reservas estratégicas globais e as retiradas de estoques comerciais podem atingir, na melhor das hipóteses, de 4 a 6 milhões de barris por dia, enquanto o déficit de petróleo bruto está entre 5 a 8 milhões de barris por dia.
Birol não comentou sobre o ritmo diário das liberações, mas mencionou que o petróleo das reservas já estava fluindo para a Ásia. Ele alertou que, embora a liberação de estoques possa oferecer proteção temporária, não é uma solução duradoura. “O fator mais importante para o retorno a fluxos estáveis de petróleo e gás é a retomada do trânsito pelo Estreito de Ormuz”, enfatizou.
Birol também destacou que mesmo se o Estreito fosse reaberto imediatamente, levaria tempo para o comércio global de energia se recuperar. As economias emergentes e em desenvolvimento do Sul e Sudeste Asiático, assim como importantes produtores do Oriente Médio, como o Iraque, foram os mais afetados, perdendo receitas cruciais de exportação.
A AIE, criada em 1974 após a crise do petróleo de 1973, reúne 32 países de todos os continentes.

