O rei da Espanha, Felipe VI, reconheceu nesta segunda-feira, 16, que houve “muitos abusos” durante a colonização das Américas. Esta é a primeira vez que o monarca aborda o passado colonial espanhol desde o início de uma polêmica com o México em 2019.
Durante uma visita à exposição “A mulher no México indígena”, no Museu Arqueológico Nacional, em Madri, Felipe VI afirmou que os reis católicos tinham “desejo de proteger” os indígenas. Ele disse: “Os reis católicos, a rainha Isabel com suas diretrizes, as leis das Índias, tiveram um desejo de proteção, que depois a realidade faz com que não se cumpra como se pretende e há muito abuso”.
As relações entre México e Espanha se tornaram tensas após o então presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, ter enviado uma carta a Madri em 2019, pedindo um pedido de desculpas da Coroa pelos abusos durante a conquista. O governo espanhol informou que o monarca não respondeu à carta, o que foi interpretado como uma afronta e resultou em uma crise diplomática.
A situação se agravou quando a nova presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, decidiu não convidar o rei para sua posse, e o governo espanhol não enviou representantes. A visita do rei à exposição é vista como um gesto de reconciliação entre os dois países.
Felipe VI também comentou sobre a importância de conhecer a história, apesar de haver situações que “não podem nos fazer sentir orgulhosos”. Ele declarou: “Há coisas que depois que as estudamos, as conhecemos, você se diz: ‘Bom, no nosso critério de hoje em dia, com nossos valores, obviamente não podem nos fazer sentir orgulhosos'”.
O monarca acrescentou que é preciso analisar a história de forma objetiva e rigorosa para “tirar lições”. Em outubro, o ministro de Assuntos Exteriores espanhol, José Manuel Albares, já havia reconhecido a “dor e injustiça” causadas aos “povos originários” na América.
Claudia Sheinbaum saudou as palavras de Albares como o “primeiro passo” para reconhecer os abusos cometidos. Ela afirmou: “O perdão enobrece as nações; não é humilhante. Reconhecer a história, admitir os erros, pedir perdão ou expressar arrependimento enobrece os governos”.
O chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, destacou que normalizar as relações com o México é uma “prioridade” após anos de tensões. No entanto, autoridades mexicanas ainda consideram necessário um gesto do rei Felipe VI para encerrar a crise.
Fontes do Palácio Real informaram que a exposição visitada pelo rei faz parte de um projeto binacional que visa fortalecer os laços entre os dois países, reconhecendo a importância histórica das culturas indígenas e o papel das mulheres nas comunidades indígenas do México.


