O rei da Espanha, Felipe VI, reconheceu nesta segunda-feira (16) que houve “muito abuso” durante a conquista espanhola da América. A declaração foi feita durante uma visita a uma exposição sobre a mulher indígena mexicana em um museu de Madri.
Felipe VI destacou que, apesar do desejo dos reis católicos, especialmente da rainha Isabel, de proteger os indígenas, a realidade da colonização resultou em abusos. “Os reis católicos, a rainha Isabel com suas diretrizes, as leis das Índias, tiveram um desejo de proteção, que depois a realidade faz com que não se cumpra como se pretende e há muito abuso”, afirmou o monarca.
A colonização das Américas pela Espanha começou em 1492, quando Cristóvão Colombo desembarcou em Guanahani, uma ilha do arquipélago das Bahamas. Este processo se estendeu até o século XVII, abrangendo grande parte da atual América Latina, desde o México até a Argentina e o Chile.
Durante a colonização, os espanhóis dominaram vastas regiões da América Latina por meio de expedições militares e alianças com povos indígenas. A exploração econômica resultou em uma catástrofe demográfica para os nativos, devido a doenças e à violência dos colonizadores, que incluía execuções, escravidão e exploração do trabalho indígena.
Nos últimos anos, a Espanha tem adotado medidas reparatórias limitadas, que incluem pedidos de desculpa e reconhecimentos de abusos. Portugal, que colonizou o Brasil, tem seguido uma postura semelhante.


