O Equador enviou 75 mil soldados e policiais para combater gangues de drogas em quatro das províncias mais violentas do país no domingo, 15 de março de 2026. A mobilização faz parte de um plano de duas semanas que visa estrangular o narcotráfico equatoriano.
A nação andina, vizinha dos maiores produtores globais de cocaína, Colômbia e Peru, se tornou um dos principais polos exportadores da droga, resultando em uma crise de segurança pública. “Estamos em guerra”, afirmou o ministro do Interior, John Reimberg, durante um comunicado aos moradores das províncias de El Oro, Guayas, Los Rios e Santo Domingo de los Tsáchilas.
Reimberg orientou a população: “Não corram riscos, não saiam, fiquem em casa”. O governo de Quito determinou um toque de recolher para essas regiões entre 23h e 5h, exceto para profissionais de saúde, trabalhadores de serviços de emergência e viajantes com passagens aéreas.
A operação, iniciada pelo presidente Daniel Noboa, utilizará veículos blindados e helicópteros no combate aos narcotraficantes, além de contar com assessoria direta dos Estados Unidos. Desde sua eleição em 2023, Noboa tem adotado uma postura rigorosa em relação ao narcotráfico, delegando o controle das prisões ao exército e enfrentando acusações de violação de direitos humanos contra suspeitos de “terrorismo”.
Apesar das ações do governo, os índices de violência relacionada às drogas no Equador não diminuíram. Em 2025, o país registrou uma taxa recorde de homicídios, com mais de 8 mil assassinatos. Noboa é aliado próximo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sob sua administração, as forças armadas americanas têm auxiliado os agentes equatorianos em treinamento, inteligência e financiamento para combater o narcotráfico.
Atualmente, os portos equatorianos são responsáveis pela saída de 70% da droga produzida na Colômbia e no Peru. O Equador se juntou a outros 16 países na aliança “Escudo das Américas”, uma iniciativa de Trump para enfrentar o tráfico de drogas no continente. Um encontro entre os líderes ocorreu no início de março na Flórida, onde Trump definiu as gangues criminosas como “um câncer” e incentivou o uso de força militar para erradicá-las. “Não queremos que se espalhe”, disse o presidente americano.


