Cinco detentos morreram em unidades prisionais da Grande Belo Horizonte em menos de um mês. O caso mais recente ocorreu na madrugada de sábado (14), no Presídio Antônio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) nesta segunda-feira (16).
Rafael Rodrigues dos Santos, de 28 anos, foi encontrado sem sinais vitais por policiais penais por volta de 1h30, após colegas de cela chamarem os agentes. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e confirmou a morte no local. A direção da unidade instaurou um procedimento interno para apurar administrativamente as circunstâncias do óbito. Rafael tinha passagens pelo sistema prisional desde 2019.
A Polícia Civil de Minas Gerais informou que a perícia técnica e o rabecão foram acionados e estiveram na unidade para a coleta de vestígios que vão subsidiar as investigações. A corporação aguarda a conclusão do laudo pericial, que deverá apontar as circunstâncias da morte.
Além de Rafael, outro detento foi encontrado morto no mesmo dia, no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, em Belo Horizonte. Nilson Lemes Carvalho, de 49 anos, estava na unidade havia uma semana. Policiais penais foram chamados até a cela do preso durante a manhã e o encontraram deitado, sem sinais vitais. O Samu foi acionado e confirmou o óbito. Um procedimento interno foi aberto e os detentos que dividiam a cela deverão ser ouvidos.
A morte de Nilson ocorreu duas semanas após outros três presos terem sido encontrados mortos na mesma unidade, em um intervalo de dois dias, com o primeiro caso registrado em 26 de fevereiro.
Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que as mortes em presídios de Minas Gerais triplicaram ao longo de quatro anos. Foram mais de 130 registros em 2025, contabilizados até o início de dezembro, contra 44 em 2021. Especialistas apontam que fatores como superlotação das unidades prisionais, presença de facções criminosas e falta de profissionais contribuem para o aumento das mortes no sistema prisional.
O Sindicato dos Policiais Penais de Minas Gerais informou que esteve no Ceresp Gameleira no dia 12 de fevereiro para verificar a situação da unidade e classificou o cenário como preocupante. Segundo a entidade, a superlotação e o número insuficiente de policiais penais aumentam os riscos de motins e comprometem a segurança. O sindicato pretende acionar o Ministério Público e outros órgãos para cobrar providências.
O Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG) informou que, até o momento, não foi notificado sobre o pedido de interdição do Ceresp Gameleira. O órgão destacou que as unidades prisionais do estado passam por fiscalizações periódicas de órgãos de controle e que todos os óbitos de detentos são investigados administrativamente, podendo resultar em sanções, enquanto a apuração criminal fica a cargo da Polícia Civil de Minas Gerais.

