O programa Canal Livre, da Rede Bandeirantes, promoveu um debate entre três governadores do Partido Social Democrático (PSD) considerados possíveis candidatos à presidência em 2026: Ronaldo Caiado (Goiás), Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Durante o encontro, os governadores discutiram temas como a indicação para o ministério da Economia, o STF, governabilidade, fixação de teto de remuneração e segurança pública.
Os participantes foram questionados sobre as reformas institucionais necessárias no STF e o perfil desejado para novos ministros, uma vez que o próximo presidente da República deverá indicar pelo menos três integrantes da Corte. Ronaldo Caiado se destacou ao apresentar uma posição firme sobre as mudanças no Supremo, afirmando que a reforma deve ser uma das principais pautas do Senado Federal.
Caiado mencionou que há propostas em discussão que sugerem um mandato de dez anos para os ministros do STF, com avaliação prévia dos indicados por diferentes instituições jurídicas. Ele declarou:
““O eleitor hoje está focado nisso. Essa mudança no formato do Supremo deve avançar rapidamente no Senado e no Congresso.””
O governador de Goiás também criticou os chamados “penduricalhos” salariais, que elevam os vencimentos de magistrados acima do teto constitucional. Ele afirmou:
““O teto hoje é de cerca de R$ 44 mil, mas há juízes recebendo mais de R$ 100 mil ou até R$ 150 mil. Isso faz com que o teto vire piso e gera um efeito dominó em todo o funcionalismo.””
Caiado ainda defendeu a revisão das decisões monocráticas no STF, argumentando que essas medidas podem gerar insegurança jurídica em projetos estaduais e investimentos públicos. Eduardo Leite, por sua vez, destacou a tensão institucional no Brasil e propôs a construção de um “pacto de governabilidade” entre os Poderes, mencionando que há um desarranjo institucional que afeta a capacidade decisória do país.
Leite também defendeu a criação de mandatos para ministros do STF, sugerindo uma idade mínima de 60 anos para ingresso no tribunal, o que, segundo ele, garantiria que a nomeação representasse a culminação de uma trajetória jurídica consolidada. Ele afirmou:
““Isso garantiria que o mandato no Supremo fosse a coroação de uma carreira jurídica brilhante e não uma oportunidade para desenvolver carreira ou beneficiar escritórios familiares.””
Ratinho Júnior concordou com algumas críticas ao modelo atual e afirmou que mudanças no Judiciário devem ser conduzidas pelo Congresso Nacional. O governador do Paraná defendeu que as indicações para o STF priorizem magistrados de carreira e ressaltou que o avanço das reformas institucionais depende da capacidade de articulação do presidente da República. Ele declarou:
““O presidente precisa ter autoridade moral para sentar à mesa com as instituições e construir avanços institucionais.””


