Um novo tipo de roubo tem se espalhado por São Paulo, atingindo motocicletas de forma rápida e silenciosa. O alvo dos criminosos é o módulo da moto, considerado o “cérebro” do veículo. O crime pode ocorrer a qualquer hora e em qualquer lugar, muitas vezes em plena luz do dia.
Os ladrões se aproximam de motocicletas estacionadas, observam o movimento e, quando percebem que não estão sendo notados, agem. “Eles puxam o banco, quebram uma trava, desplugam o módulo e vão embora. É questão de segundos”, relata um investigador sobre a dinâmica do crime.
Recentes flagrantes mostram a rapidez e a discrição com que os criminosos atuam. Um motociclista que já foi vítima do roubo explica: “O cara tenta dar partida, a moto não pega. Aí vai ver, está sem o módulo”.
Não há dados oficiais sobre a quantidade de módulos roubados diariamente em São Paulo, pois muitas vítimas não registram boletins de ocorrência. No entanto, levantamentos de empresas que monitoram câmeras de segurança indicam que pelo menos três motociclistas são vítimas desse crime todos os dias na capital.
Os principais alvos são entregadores e trabalhadores que utilizam motos de baixa cilindrada. Um motociclista compartilha sua experiência: “Eu tive duas vezes. Meu irmão teve uma vez. A gente depende da moto para trabalhar. Quando acontece isso, você fica parado”.
O prejuízo financeiro pode ser significativo, já que o valor de um módulo novo varia conforme o modelo da motocicleta, podendo custar de R$ 1.200 até R$ 8 mil. Módulos de motos de média e alta cilindrada possuem identificação eletrônica, enquanto os de baixa cilindrada não têm esse recurso, o que facilita a revenda clandestina.
Essa falta de rastreamento alimenta o mercado ilegal. Um profissional do setor afirma: “Se você procurar hoje na internet, infelizmente acha módulo por R$ 250, R$ 300. Mas você pode estar comprando um módulo que foi roubado”. Especialistas alertam que a busca por preços mais baixos incentiva o furto.
Com o aumento dos casos, motociclistas tentam se proteger. Um entregador menciona que ele e sua família colocam o módulo embaixo do tanque. Outros têm recorrido a dispositivos de segurança, como protetores de ferro que dificultam o roubo.


