Flávio Bolsonaro busca conciliar Estado mínimo e Bolsa Família em plano econômico

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro está elaborando um plano econômico que busca resolver um impasse: de um lado, a proposta de um Estado mínimo, com privatizações e cortes fiscais; do outro, a promessa de não alterar programas de transferência de renda como o Bolsa Família.

Nos bastidores, assessores do pré-candidato destacam uma “espinha-dorsal” composta por três pilares: venda da maioria das estatais, estímulo à disciplina fiscal e redução da carga tributária. A intenção é levar o país a um crescimento sustentável a longo prazo, sem abrir mão de programas sociais.

Essa tentativa de equilibrar um Estado mínimo com uma vitrine social gera desconforto entre investidores da Faria Lima, centro do mercado financeiro. A equipe econômica de Flávio tem mantido um perfil discreto, mas se comunica ativamente com economistas e investidores, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro.

Em reuniões fechadas, o pré-candidato tem afirmado que pretende “enxugar” a máquina pública, reduzir tributos e cortar gastos supérfluos, sinalizando compromisso com o equilíbrio fiscal sem aumentar impostos. A mensagem central é que o governo deve “gastar menos do que arrecada”, focando em ajustes nas despesas e retomando reformas pró-mercado que foram suspensas após 2022.

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Flávio já mencionou a intenção de privatizar até 95% das empresas públicas, mantendo apenas áreas estratégicas e ampliando parcerias público-privadas. A narrativa para investidores é de “virar a página da era das estatais” e usar as desestatizações para restaurar a confiança na política fiscal e atrair investimentos.

O conflito surge quando o projeto se recusa a ser rotulado como “ultraliberal” e insiste na manutenção do Bolsa Família. Assessores próximos ao pré-candidato afirmam que “não queremos rotular como projeto liberal, pois manteremos projetos sociais como o Bolsa Família”, buscando evitar desgaste com a base popular.

A promessa é que o ajuste viria de cortes em privilégios e ineficiências, sem afetar o benefício que assegura um piso mínimo de renda às famílias vulneráveis. No entanto, gestores e estrategistas que participaram das reuniões expressam preocupação sobre a viabilidade de conciliar um programa de transferência de renda de grande escala com a proposta de um ajuste fiscal profundo e uma carga tributária reduzida.

Um sócio de banco que participou de um almoço com Flávio em São Paulo observa que a combinação entre a retórica de Estado mínimo e a preservação do programa, visto como populista, pode limitar o crescimento sustentado apenas com investimentos privados e cortes de gastos. À medida que o plano se detalha, o dilema tende a se intensificar.

A campanha acredita que a conciliação entre liberalismo econômico e o Bolsa Família pode ser uma estratégia eleitoral eficaz, aliviando o temor de perda de renda entre os mais pobres e ampliando o discurso pró-mercado. Contudo, parte do mercado considera que, sem reconfigurações nas políticas de transferência, o projeto pode ficar em um meio-termo insatisfatório tanto para o mercado quanto para o campo progressista.

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O plano econômico de Flávio Bolsonaro será testado até abril, quando deverá ser lançado juntamente com seu “Posto Ipiranga” da Economia.

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