Maycon Magalhães, de 30 anos, é agente funerário em Rio Branco, Acre, e atua na profissão há quatro anos. Sua trajetória começou após a morte de um amigo, que despertou nele a curiosidade sobre o que acontece após a vida.
A decisão de se tornar agente funerário surgiu após a indicação do neto da dona da funerária, pouco tempo depois da morte de Marcos Felipe, que tinha 21 anos. Maycon descreve Marcos como um irmão e uma pessoa de grande coração.
““Fiquei curioso sobre o que acontece depois da morte. Ele [Marcos Felipe] era um irmão, parceiro sem maldade alguma. Tinha muita vontade de ser alguém na vida e foi a pessoa com mais coração que conheci”, disse Maycon.”
O trabalho de um agente funerário vai além de dirigir o carro funerário. Maycon explica que a rotina inclui a remoção do corpo, o cortejo até o cemitério, o translado entre municípios e a preparação do corpo para o velório. Ele destaca que não há horários fixos para refeições e que o trabalho envolve cuidados detalhados.
““O que ninguém imagina é que a gente faz tudo, desde o banho até o procedimento de conservação”, afirmou.”
Entre os momentos mais difíceis, Maycon menciona os atendimentos a crianças. Apesar disso, ele considera que o reconhecimento das famílias é gratificante. Ele observa que muitas pessoas têm preconceitos sobre a profissão e frequentemente fazem perguntas sobre suas atividades.
““Normalmente perguntam: ‘mas tu só dirige, né?’, ‘tu mexe também?’, ‘tu abre o corpo?’. São muitas perguntas assim”, contou.”
A rotina de trabalho é organizada, com atendimentos em horário comercial durante a semana e plantões nos finais de semana. Maycon também relata que já ouviu perguntas sobre situações sobrenaturais, mas não sente medo de trabalhar na área.
““Não tenho medo. Mas já aconteceu de eu estar sozinho na funerária preparando e me chamarem pelo nome”, relembrou.”
Maycon enfatiza a importância de agir com humanidade ao lidar com a dor das famílias. Ele compartilha que já presenciou despedidas inusitadas, como a contratação de um cantor para um velório, e acredita que cada despedida tem sua própria história.
““A gente deixa a família à vontade quanto aos desejos do falecido e dos familiares. Cada despedida tem uma história”, afirmou.”
Após quatro anos na profissão, Maycon reflete que sua experiência mudou sua forma de ver a vida. Ele menciona que já ajudou famílias sem condições financeiras a realizar procedimentos sem cobrar, destacando que o melhor pagamento é o agradecimento.
““O melhor pagamento é o agradecimento”, concluiu.”


