Empresas gigantes da mineração estão considerando uma possível entrada no mercado de terras raras no Brasil. Fontes do setor afirmam que executivos da Vale e da Rio Tinto estão envolvidos em movimentos preliminares para entender melhor a dinâmica desse mercado.
Atualmente, o desenvolvimento dessa nova cadeia é dominado por companhias juniores, principalmente australianas, que estão em estágios iniciais de exploração. Segundo interlocutores do setor, já ocorreram conversas técnicas para entender os detalhes geológicos e comerciais desses projetos, mas as tratativas ainda são consideradas iniciais.
O mercado global de terras raras é pequeno e historicamente dominado pela China, que concentra a produção e o processamento desses minerais. Essa concentração gerou distorções de mercado, dificultando o desenvolvimento de projetos em outras regiões. Por muitos anos, grandes mineradoras globais evitaram o setor devido ao elevado risco e à falta de um mercado consolidado.
Executivos do setor observam que, com o crescimento da demanda por tecnologias como veículos elétricos e turbinas eólicas, o mercado de terras raras começa a passar por uma reorganização. Governos e empresas estão buscando reduzir a dependência da China e criar cadeias produtivas alternativas, com políticas públicas que impulsionam financiamento e contratos de compra de longo prazo.
O momento de entrada das grandes mineradoras pode estar próximo, especialmente quando os projetos brasileiros avançarem para estágios mais maduros, o que pode ocorrer entre 2027 e 2029. A possibilidade de joint ventures é considerada, mas a aquisição integral ou majoritária dos projetos é vista como mais comum.
A Vale já se aproxima do tema dos minerais críticos, incluindo terras raras. Em 2025, anunciou a criação de um fundo com o BNDES para investir em projetos ligados a minerais estratégicos. O CEO da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que a empresa está avaliando a participação em outras commodities.
No caso da Rio Tinto, o movimento é mais explícito. A empresa participou de reuniões técnicas no Brasil e anunciou a compra do controle da CBA, que possui áreas com potencial para terras raras. A companhia também está ampliando sua presença em minerais ligados à transição energética na América do Sul.

