O Iraque entrou em contato com o Irã para obter autorização para que alguns de seus petroleiros possam atravessar o Estreito de Ormuz. O anúncio foi feito pelo ministro do Petróleo iraquiano, Hayan Abdel Ghani, à imprensa local nesta terça-feira, 17.
“Estamos em contato com as autoridades competentes para que autorizem a passagem de certos petroleiros pelo Estreito de Ormuz, para que possamos retomar nossas exportações”, afirmou Abdel Ghani à emissora local Al Sharqiya. Ele acrescentou que é necessário fornecer a identidade dos navios, incluindo nome, nacionalidade e proprietários.
Como membro fundador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), as vendas de petróleo representam 90% das receitas orçamentárias de Bagdá. Antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, o Iraque exportava cerca de 3,5 milhões de barris por dia dos campos do sul de Basra através do Estreito de Ormuz.
O Irã fechou o estreito, que normalmente é responsável por até um quinto do petróleo mundial, a navios da maioria dos países. Devido à capacidade limitada de armazenamento estratégico do Iraque, o Ministério do Petróleo foi forçado a reduzir gradualmente a produção, que caiu cerca de 70%, para aproximadamente 1,3 milhão de barris por dia.
A maior parte desse petróleo era destinada à operação de refinarias nacionais e ao fornecimento de combustível para usinas de energia. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou que o país está aberto a negociações para aqueles que desejam acessar a passagem com segurança. Ele afirmou que o Estreito de Ormuz está fechado apenas para embarcações dos Estados Unidos, de Israel e seus aliados.
“Do nosso ponto de vista, está aberto”, disse Araghchi. “Está fechado apenas para nossos inimigos, para aqueles que cometeram agressões injustas contra o nosso país e para seus aliados.” Um petroleiro não iraniano, o Aframax Karachi, transitou pelo Estreito de Ormuz nesta segunda-feira, tornando-se a primeira carga não iraniana a fazê-lo.
O presidente americano, Donald Trump, pediu ajuda às grandes potências para liberar o Estreito de Ormuz e exigiu que seus aliados se unam rapidamente a uma operação para escoltar os petroleiros. Analistas afirmam que não surpreende que os aliados dos Estados Unidos não se mostrem entusiasmados com um envolvimento em uma guerra sobre a qual não foram consultados.
Enquanto isso, bombardeios continuam a abalar o Oriente Médio e o preço do petróleo segue em ascendente, atingindo na manhã desta segunda o patamar mais alto desde outubro de 2022. A Agência Internacional de Energia (AIE) liberou 400 milhões de barris de suas reservas emergenciais, mas estima que o fornecimento diário do combustível deve cair em 10 milhões, gerando a maior perturbação no setor em toda a história.

