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Saúde

Consumo de chá pode fortalecer ossos em mulheres, aponta estudo

Amanda Rocha
Última atualização: 17 de março de 2026 08:55
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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Um estudo publicado em novembro na revista Nutrients sugere que o consumo frequente de chá pode estar associado a uma densidade óssea ligeiramente maior no quadril em mulheres. A pesquisa acompanhou quase 10 mil mulheres com 65 anos ou mais ao longo de dez anos, focando em fraturas por osteoporose.

Os pesquisadores analisaram o consumo de café e chá, comparando esses dados com exames de densidade mineral óssea do quadril e do colo do fêmur. O chá demonstrou um efeito protetor, enquanto o café não apresentou prejuízos significativos à saúde óssea, exceto em doses elevadas, acima de cinco xícaras por dia, que podem aumentar o risco de perda óssea.

““O consumo moderado, em geral, até duas ou três xícaras por dia, não está associado a prejuízos importantes para os ossos, desde que a ingestão de cálcio seja adequada. O problema é o excesso”, afirmou a reumatologista Isabella Monteiro, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia.”

A médica ressaltou que não há necessidade de eliminar o café da dieta, mas recomenda evitar exageros, especialmente para mulheres com osteoporose ou alto risco de fraturas. “A diferença observada é muito pequena. Do ponto de vista do consultório, esse resultado não muda condutas nas indicações de tratamento. Esse achado tem mais relevância populacional do que individual”, observou Monteiro.

O estudo também analisou subgrupos de mulheres e constatou que aquelas com maior consumo de álcool poderiam apresentar efeitos mais negativos do café sobre os ossos, enquanto aquelas com obesidade se beneficiariam mais do chá. “São hipóteses que precisam ser confirmadas. A Sociedade Brasileira de Reumatologia recomenda que as decisões clínicas devem se basear em fatores de risco bem estabelecidos, e não em associações ainda em investigação”, destacou a médica.

A osteoporose é uma condição que reduz a massa e a qualidade óssea, aumentando o risco de fraturas, especialmente na coluna, quadril e punho, sendo altamente prevalente após a menopausa. “A queda do estrogênio acelera a perda óssea, e estima-se que cerca de um terço das mulheres acima dos 50 anos terá uma fratura osteoporótica ao longo da vida”, relatou a reumatologista.

O diagnóstico da osteoporose é realizado por meio da densitometria óssea, um exame indolor. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Reumatologia recomendam o teste para todas as mulheres a partir dos 65 anos ou antes, se houver fatores de risco, como menopausa precoce, fratura prévia por fragilidade, histórico familiar ou uso prolongado de corticoides.

Os pilares para prevenção e tratamento incluem ingestão adequada de cálcio e vitamina D, atividade física regular, prevenção de quedas e tratamento medicamentoso quando necessário. O café e o chá podem ser consumidos dentro de um contexto alimentar equilibrado. “Essas bebidas podem fazer parte dos hábitos de vida, desde que com moderação, mas não substituem medidas comprovadamente eficazes para proteger os ossos ao longo do envelhecimento”, finalizou Isabella Monteiro.

TAGGED:Einstein Hospital IsraelitaGoiâniaGoiásIsabella MonteiroOrtopediaOsteoporoseSociedade Brasileira de Reumatologia
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