O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, acusou o Equador de bombardear o território colombiano próximo à fronteira, onde atuam grupos de narcotraficantes. A declaração ocorreu na segunda-feira, 16 de março de 2026, após o governo equatoriano lançar uma megaoperação com 75 mil soldados para combater gangues no país.
Petro afirmou que seu governo possui evidências de que um ataque com uma “bomba” foi lançado de um avião perto do lado colombiano da fronteira. O presidente não especificou quando o suposto ataque teria ocorrido. “Estão nos bombardeando a partir do Equador e não são os grupos armados ilegais”, disse durante uma reunião televisionada com ministros.
O mandatário acrescentou que aguarda os resultados de uma investigação para evitar “entrar em uma guerra”. Ele também solicitou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que “atue” diante do suposto bombardeio. “Pedi que ele telefone ao presidente do Equador porque nós não queremos entrar em uma guerra”, afirmou.
Petro expressou orgulho por ter tirado a Colômbia do perigo dos mísseis, mas alertou sobre a atual ameaça. “Ameaça após ameaça. Conseguimos tirar a Colômbia disso, já estavam caindo no país vizinho, mas também não temos por que ser bombardeados com armas menores — menores do ponto de vista de um míssil —, mas a soberania nacional deve ser respeitada”, disse.
A tensão entre Colômbia e Equador aumentou desde fevereiro, quando o presidente equatoriano, Daniel Noboa, impôs tarifas ao país vizinho, alegando que Bogotá não fazia o suficiente para combater o narcotráfico na fronteira. Em resposta, Petro anunciou uma medida semelhante contra o Equador.
No início de março, militares dos EUA iniciaram uma operação no Equador, em parceria com forças de segurança locais, para combater grupos de narcotráfico, classificados pelo governo Trump como “organizações terroristas estrangeiras”. No domingo, o Equador enviou 75 mil soldados e policiais para combater gangues de drogas em quatro províncias violentas, resultando na prisão de mais de 250 pessoas no primeiro dia da operação.
O país, que já mantinha relações estreitas com Washington, agora faz parte do “Escudo das Américas”, uma aliança de 17 países das Américas para enfrentar ameaças à segurança. A Colômbia, no entanto, não faz parte do acordo anunciado por Trump. Cerca de 70% das drogas produzidas pela Colômbia e pelo Peru, os maiores produtores de cocaína do mundo, são exportadas por meio de rotas no Equador.

