O ministro Alexandre de Moraes, do STF, decidiu na segunda-feira (16) manter a prisão preventiva do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto. O magistrado está preso desde dezembro de 2025 e é acusado pela PGR de vazar informações sigilosas relacionadas a operações policiais contra o Comando Vermelho.
Na mesma decisão, Moraes determinou a notificação de quatro pessoas denunciadas pela PGR pelo crime de obstrução de investigação envolvendo organização criminosa armada. Os denunciados são: o deputado estadual do Rio de Janeiro Rodrigo Bacellar, o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, Jéssica de Oliveira Santos e Thárcio Nascimento Salgado.
O ministro também manteve medidas cautelares contra os denunciados, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Além disso, ordenou que o presidente em exercício da Alerj, deputado Guilherme Delaroli, seja informado da denúncia para avaliar eventuais medidas disciplinares contra Bacellar.
As defesas têm prazo de 15 dias para apresentar contestação antes do julgamento que decidirá se os investigados se tornarão réus. Segundo a PGR, os denunciados teriam atuado em conjunto para atrapalhar a Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025, que visava desarticular uma organização criminosa ligada ao tráfico internacional de armas e drogas.
A operação também investigava crimes como corrupção e lavagem de dinheiro, liderados por integrantes do Comando Vermelho. TH Joias era um dos principais alvos da operação e, segundo as investigações, teria sido avisado previamente sobre a ação policial.
A PGR sustenta que o desembargador Macário Neto repassou informações sigilosas sobre medidas cautelares autorizadas no âmbito da operação a Rodrigo Bacellar, apontado como amigo próximo. A denúncia também indica que a esposa de TH Joias, Jéssica de Oliveira Lima, participou do esvaziamento do imóvel ligado ao ex-deputado, transportando objetos retirados do local.
Após ser considerado foragido, TH Joias foi localizado pela polícia no apartamento de seu assessor parlamentar, Thárcio Nascimento Salgado, que teria ajudado o ex-deputado a se esconder e adotado medidas para apagar evidências digitais.

