Deficiências na Defesa do Brasil: Alerta de Ex-Chefe da FAB

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O Tenente-Brigadeiro Batista Júnior, ex-chefe da Força Aérea Brasileira (FAB), fez um alerta sobre a capacidade militar do Brasil em entrevista ao jornal Estadão. Ele afirmou que o país enfrenta uma deterioração significativa de sua capacidade militar, tornando as Forças Armadas inadequadas para conflitos modernos.

Batista Júnior destacou que a situação não é exclusiva do atual governo, mas é resultado de um processo que se estende por 30 anos. Entre os fatores que contribuem para essa situação estão a baixa percepção de ameaça na América do Sul e as carências sociais do país. “Em síntese, nossa capacidade militar está já há algum tempo incompatível com o bem maior que deve proteger, o Brasil”, afirmou.

O diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, também comentou sobre o tema, afirmando que o Brasil está atrasado em relação ao dimensionamento das Forças Armadas para um cenário de 2010. Os conflitos internacionais atuais, como a guerra na Ucrânia e no Oriente Médio, acenderam o que Batista Júnior chamou de “luz vermelha”, evidenciando a falta de preparo do Brasil para guerras modernas que utilizam tecnologias avançadas, incluindo inteligência artificial.

“É a difícil constatação de que nossas forças armadas não estão minimamente preparadas para os conflitos modernos, que o grau de dissuasão militar está muito reduzido”, destacou Batista Júnior. O analista Caio Junqueira opinou que o governo Lula só se deu conta das necessidades das Forças Armadas devido aos conflitos atuais, embora não tenha recursos suficientes para atender a essas demandas.

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O Tenente-Brigadeiro criticou o orçamento engessado do governo federal e defendeu uma reforma na gestão da defesa, propondo um controle centralizado das Forças Armadas. Especialistas apontam que, apesar da aprovação de uma emenda constitucional que destina verbas para programas estratégicos de defesa nos próximos cinco anos, os recursos são insuficientes. O plano de modernização das Forças Armadas necessita de aproximadamente R$ 800 bilhões, enquanto o governo apresentou um plano de apenas R$ 400 bilhões para mais de 10 anos.

Além disso, o maior gasto atual dos militares é com folha de pagamento, o que limita os investimentos em equipamentos e tecnologia. “Esse governo aprovou uma emenda constitucional que deu uma verba orçamentária para os próximos cinco anos para programas estratégicos de defesa do Brasil, mas isso não elimina o fato de que toda questão da defesa no Brasil tem sido tratada com muito preconceito com relação aos militares por questões ideológicas”, apontou Murillo de Aragão, cientista político e CEO da Arko Advice.

Batista Júnior também comentou sobre a tentativa de golpe que resultou na prisão de alguns generais, revelando que ainda recebe ataques de oficiais da reserva e da ativa por ter se oposto às medidas de exceção analisadas no governo anterior. A deficiência na defesa brasileira se manifesta em diversos aspectos, como na encomenda de 36 caças Gripen pela Força Aérea em 2014, quando especialistas apontam que seriam necessários pelo menos 66. As entregas estão atrasadas, com apenas 12 aeronaves entregues até o momento.

O submarino nuclear, projetado em 2008, tem previsão de entrega apenas para a segunda metade da década de 2030, e o Exército carece de defesa de média altura, considerada crucial para a proteção territorial.

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