A secretária de Finanças de Gramado Xavier, Milena Laufer, foi exonerada nesta segunda-feira, 16 de março de 2026. Ela ocupava o cargo desde 2 de janeiro de 2025 e é filha do prefeito José Marcelo Laufer.
A exoneração ocorreu após a decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que considerou a nomeação como nepotismo. O Ministério Público do Rio Grande do Sul afirmou que a nomeação de Milena não atendeu às exigências de qualificação técnica necessárias para o cargo, que envolve gestão orçamentária, contabilidade pública e responsabilidade fiscal.
Milena, que é formada em Enfermagem, retornou de licença-maternidade no dia 16 de março e foi exonerada logo após. O prazo para cumprimento do afastamento, determinado pela Justiça, era de 15 dias a partir de 27 de fevereiro, quando a decisão foi publicada, e terminou em 14 de março.
O promotor de Justiça Érico Fernando Barin destacou:
““A nomeação baseada exclusivamente em vínculos familiares, sem a qualificação técnica necessária, compromete o interesse público e fragiliza a confiança da sociedade nas instituições.””
O último salário de Milena, recebido em fevereiro, foi de R$ 5.567,33. Em depoimento à Promotoria, ela reconheceu não ter experiência ou formação compatível com as atribuições do cargo e afirmou ter aceitado o convite do pai quando estava desempregada.
O prefeito José Marcelo Laufer admitiu ao Ministério Público que a escolha de sua filha para o cargo foi por razões pessoais. Atualmente, o secretário de Administração do município, Evandro Casanova, é o responsável pela Secretaria de Finanças.
A defesa de Milena e do prefeito informou que a decisão é uma liminar que pode ser revertida e que a alegação de falta de aptidão não procede, uma vez que a função é controlada por servidores nomeados por concurso público e programas de contabilidade específicos. O advogado Manir Zeni argumentou que a Súmula 13 do STF, que proíbe a contratação de parentes em cargos de confiança, não se aplica a agentes políticos.
A defesa também lamentou a divulgação da matéria pelo Ministério Público, afirmando que o conteúdo busca ridicularizar os envolvidos e que Milena estava em licença-maternidade.


