Guerra no Oriente Médio pode levar 45 milhões à fome aguda até junho, diz ONU

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas divulgou nesta terça-feira, 17, que dezenas de milhões de pessoas enfrentarão fome aguda se a guerra no Oriente Médio continuar até junho.

O conflito teve início em 28 de fevereiro, com ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, interrompendo rotas aéreas, marítimas e terrestres. Isso atrasou a entrega de assistência humanitária em regiões vulneráveis.

Estima-se que mais 45 milhões de pessoas sejam empurradas para a fome aguda, elevando o total global para um recorde de 319 milhões. O vice-diretor executivo do PMA, Carl Skau, afirmou:

““Isso levaria os níveis globais de fome a um recorde histórico e é uma probabilidade terrível.””

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Skau acrescentou:

““Antes desta guerra, já estávamos em uma tempestade onde a fome nunca foi tão severa como agora, em termos de números e quão profunda é essa fome.””

Desde o início do conflito, o custo dos transportes do PMA subiu cerca de 18% devido aos desvios forçados de rotas comerciais. Enquanto isso, cortes no financiamento humanitário, em favor de gastos militares, agravaram a situação.

A crise também impacta o envio de itens essenciais. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou que materiais como tendas e iluminação destinados à Faixa de Gaza e Cisjordânia estão retidos na cadeia logística.

No Hub Humanitário de Dubai, as organizações enfrentam dificuldades para transportar estoques emergenciais. Empresas de transporte passaram a cobrar sobretaxas de cerca de US$ 3 mil por contêiner, pressionando ainda mais os orçamentos.

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A Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho relatou que não consegue enviar kits médicos ao Irã devido a bloqueios logísticos. Parte dos equipamentos está armazenada em Dubai, mas o acesso ao porto de Jebel Ali foi dificultado após um incêndio causado por destroços de míssil.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) alertou que o Sudão, que já enfrenta níveis extremos de fome, pode ser um dos mais prejudicados pelas restrições em rotas estratégicas como o Canal de Suez e o estreito de Bab el-Mandeb.

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