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Política

PT formaliza mudança de estratégia para 2026 e critica Flávio Bolsonaro

Amanda Rocha
Última atualização: 17 de março de 2026 11:21
Amanda Rocha
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Tempo: 5 min.
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A cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou nesta segunda-feira (16) uma resolução política que oficializa a mudança de postura da legenda para o ciclo eleitoral de 2026. O documento, aprovado pela Comissão Executiva Nacional, critica a cautela do Planalto e coloca o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como alvo opositor.

A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro é classificada como uma ameaça democrática e um projeto ‘autoritário e antipopular’. A ofensiva ocorre em um momento em que pesquisas internas indicam um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro, acendendo o alerta entre integrantes da ala mais à esquerda do governo e dirigentes petistas.

Na resolução, o PT abandona as generalizações contra o movimento que apoia a família Bolsonaro e foca nominalmente no filho do ex-presidente. O documento afirma:

“‘A candidatura de Flávio Bolsonaro representa a continuidade do mesmo projeto autoritário e antipopular que o Brasil derrotou nas urnas (…) Sua candidatura simboliza apenas a tentativa da extrema direita de manter vivo um projeto político baseado no ataque à democracia.'”

Para a cúpula petista, a vitória em 2026 depende não apenas de vencer a disputa majoritária, mas de impedir que o grupo de Flávio domine o Legislativo. O texto define como ‘condição fundamental’ a criação de uma barreira institucional no Congresso:

“‘Eleger bancadas comprometidas com o povo brasileiro é condição fundamental para assegurar governabilidade, enfrentar o poder do rentismo e da extrema direita no Parlamento.'”

Um dos pontos centrais da resolução é o uso do escândalo envolvendo o Banco Master. O PT busca nacionalizar o caso, associando a expansão da instituição ao governo anterior, de Jair Bolsonaro, e à gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central. O documento questiona:

“‘Por que o Banco Central, então sob a gestão de Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, não tomou as medidas necessárias para intervir e proteger o sistema financeiro e os recursos públicos?'”

Nos bastidores, interlocutores do partido afirmam que a estratégia petista é associar o banco ao ‘bolsonarismo’ para neutralizar o avanço de Flávio nas pesquisas. O texto foca na ‘relação estreita’ do banco com governadores e parlamentares da extrema direita, citando doações de campanha e o uso de aeronaves do dono do banco por aliados da família Bolsonaro.

O PT classifica o episódio como um sistema de proteção a privilégios:

“‘Esses elementos revelam que não se trata de um episódio isolado, mas de um sistema de relações promíscuas entre operadores políticos, interesses financeiros e setores do Estado que protege privilégios de poucos em detrimento do interesse nacional.'”

A resolução também faz um diagnóstico sobre o atual papel do Legislativo, acusando a influência do setor financeiro — rotulado como ‘Faria Lima’ — de capturar parlamentares para travar pautas sociais e manter juros altos. O documento afirma que o endividamento das famílias está ligado a esse poder:

“‘É fundamental estabelecer limites ao poder do rentismo, fortalecer a renda do trabalho e dinamizar o mercado interno, além de assegurar a redução da taxa Selic pelo Banco Central.'”

O PT considera a eleição de uma maioria democrática e popular no Congresso em 2026 como ‘questão de sobrevivência’ para o projeto petista. Dirigentes admitem que o foco no Parlamento visa neutralizar dois riscos principais: o receio de que um Congresso com maioria da extrema direita avance com pedidos de impeachment de ministros da Suprema Corte e a percepção de que o Orçamento e as reformas sociais estão reféns de parlamentares alinhados aos interesses do mercado financeiro.

No documento, o PT afirma que o sucesso de um eventual novo mandato depende de mudar a cara da Câmara e do Senado:

“‘Eleger bancadas comprometidas com o povo brasileiro é condição fundamental para assegurar governabilidade, enfrentar o poder do rentismo e da extrema direita no Parlamento e aprofundar as transformações que o país necessita.'”

TAGGED:Banco CentralCongressodemocraciaestratégia eleitoralFlávio BolsonaroLuiz Inácio Lula da SilvaPartido dos TrabalhadoresPT
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