O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, enfrenta uma crise política significativa devido ao escândalo do Banco Master. Desde janeiro, seus adversários têm protocolado um novo pedido de impeachment a cada semana. A situação se agrava, pois Ibaneis tem um prazo limitado para decidir seu futuro político: permanecer no cargo até o fim do mandato ou deixar o governo para concorrer a uma vaga no Senado.
Ibaneis, que já sobreviveu à insurreição de 8 de janeiro de 2023, agora se vê enredado em um escândalo que envolve o Banco de Brasília (BRB). O banco estatal acumula prejuízos bilionários relacionados à fraude financeira do Banco Master, com perdas que podem chegar a R$ 12 bilhões. A assembleia de acionistas do BRB, convocada para amanhã, deve detalhar esses prejuízos.
O governador acreditava ter encontrado uma solução para a crise do BRB ao transferir imóveis de empresas estatais para o banco, que poderiam ser usados como garantia em um empréstimo privado. No entanto, essa manobra encontrou resistência, especialmente do PL de Jair Bolsonaro, que decidiu abandoná-lo, e de antigos aliados que se uniram aos adversários em uma contestação judicial.
Na segunda-feira, 16 de março, a situação de Ibaneis se complicou ainda mais com o veto do juiz Daniel Eduardo Branco Carnacchioni, que questionou a validade da proposta de resgate emergencial do BRB. O juiz argumentou que não faz sentido apresentar soluções sem um diagnóstico claro da situação financeira do banco.
““O diagnóstico deve preceder as propostas de solução e não o contrário”, escreveu o juiz.”
O juiz também destacou a necessidade de transparência e auditoria completa para avaliar a capacidade financeira do BRB, antes de qualquer transferência de patrimônio. Ele afirmou que não é possível efetivar tais transferências sem uma prova concreta do comprometimento da liquidez do banco em decorrência das operações financeiras com o Banco Master.
Embora haja um prazo até 31 de março para que o BRB divulgue suas contas de 2025, a recomendação do juiz implica em custos adicionais que Ibaneis não conseguiu evitar. O governador precisa decidir rapidamente se permanecerá no cargo até a meia-noite de 3 de abril ou se deixará o governo para se candidatar ao Senado, enfrentando as consequências do escândalo do Banco Master.

