O governador Ronaldo Caiado (PSD) confirmou a assinatura de um memorando com o governo dos Estados Unidos para ampliar as operações de exploração dos minerais de terras raras em larga escala no Estado de Goiás.
O acordo prevê que a mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu, inicie a separação em larga escala desses insumos estratégicos, essenciais para cadeias industriais de alta tecnologia e alvo de disputa geopolítica global.
““A autorização foi dada em 2019 e somos o único estado do Brasil a explorar e produzir terras raras pesadas, que é a maior demanda do mundo hoje em relação a minerais críticos”,”
disse Caiado. Ele também mencionou que a empresa já recebeu um empréstimo de US$ 656 milhões para a ampliação das operações, além de um investimento de US$ 5 milhões para a planta de Nova Roma, operada pela mineradora Aclara.
O memorando será assinado nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, no Consulado-Geral dos Estados Unidos. Uma das participações esperadas no encontro era do conselheiro de Donald Trump, Danrren Beattie, mas o governo federal barrou sua entrada no país.
““Beattie nos recebeu nos Estados Unidos quando foi feito esse empréstimo e ele não vai participar porque o presidente vetou sua permanência no Brasil”,”
criticou Caiado. O governador destacou que a ampliação da capacidade de separação dos minérios de terras raras trará uma vantagem econômica para o Estado.
““Não vamos apenas mandar o mineral puro para outros países. Imagine vocês que esse memorando será para desenvolver a prática da separação dos minerais.””
A empresa pretende aumentar a capacidade de produção em 10 mil vezes. Até o momento, a produção local se concentrava na extração e exportação do material bruto.
A planta da mineradora Aclara, desde sua inauguração em Aparecida de Goiânia, estuda a separação e purificação dos elementos das terras raras. Atualmente, a empresa processa duas toneladas por dia, com o objetivo de alcançar 20 mil toneladas por dia em Nova Roma, dez mil vezes a mais que a planta atual.
Todo o processamento dos materiais atende a padrões de baixo impacto ambiental, com extração sem uso de explosivos e reaproveitamento da água utilizada no processamento.
Além do acordo com os Estados Unidos, o governo de Goiás anunciou um termo de cooperação com o Japão no valor de US$ 400 milhões para pesquisas sobre recursos hídricos e mapeamento geológico do estado, o que pode ampliar o conhecimento sobre reservas minerais e aquíferas.
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos com aplicações industriais significativas. O disprósio, por exemplo, é utilizado na fabricação de ímãs que mantêm força em altas temperaturas, essenciais para motores elétricos de alta performance. O térbio é usado em telas e lasers, além de reforçar turbinas eólicas para resistir a ventos extremos.
Atualmente, a China detém mais de 60% da produção global de terras raras e monopoliza o processamento, resultado de duas décadas de investimento em pesquisa, tecnologia e educação para transformar esses minerais em vantagem econômica e política.


