A população de Cuba enfrenta uma crise complexa após um apagão deixar o país sem energia novamente, ameaçando a oferta de serviços básicos. A operadora estatal da rede informou que não foram detectadas falhas nas unidades elétricas durante o colapso de energia. Nesta terça-feira (17), a empresa anunciou que a energia foi restabelecida em algumas áreas do país.
O novo apagão ocorre em meio ao bloqueio dos Estados Unidos ao fornecimento de combustível, uma vez que Cuba depende fortemente do petróleo para a geração de eletricidade. Os EUA interromperam o fornecimento de petróleo da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro no início de janeiro. Além disso, os EUA ameaçaram impor tarifas a outras nações exportadoras de petróleo para Cuba, alegando que Havana representa uma “ameaça extraordinária” por se aliar a “países hostis e atores malignos”.
Cuba rejeitou essas alegações e pediu a revogação das medidas. O bloqueio agravou a crise energética, resultando em cortes de energia intermitentes, racionamento de suprimentos médicos e queda no turismo. Os preços dos combustíveis dispararam, com a gasolina podendo chegar a US$ 9 (cerca de R$ 47) o litro no mercado paralelo, fazendo com que encher o tanque de um carro custe mais de US$ 300 (aproximadamente R$ 1.579), valor superior à renda anual da maioria dos cubanos.
Apagões têm sido frequentes nos últimos anos, e autoridades atribuíram esses problemas às sanções econômicas americanas, embora críticos apontem a falta de investimentos no sistema de geração de energia da ilha. O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, afirmou que “as autoridades do governo dos EUA devem estar muito satisfeitas com o prejuízo causado a todas as famílias cubanas”.
No sábado (14), moradores da cidade de Morón protestaram contra os problemas no fornecimento de energia elétrica e no acesso a alimentos. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, declarou que nenhum petróleo foi entregue à ilha nos últimos três meses e que as autoridades cubanas conversaram com os EUA para “identificar os problemas bilaterais que precisam de solução”. Ele destacou que “o impacto (do bloqueio) é tremendo” e se manifesta de forma brutal nas questões energéticas, causando angústia na população.
Em resposta à crise energética, o governo anunciou medidas emergenciais, como a redução do horário escolar, o adiamento de grandes eventos esportivos e culturais, e o corte de serviços de transporte. Muitos hospitais públicos reduziram seus serviços, e a falta de combustível fez com que o lixo se acumulasse em bairros inteiros. A venda de combustível nos postos de gasolina estatais agora é altamente restrita, permitindo abastecimento apenas para turistas, diplomatas e cubanos com agendamento online.
Dados recentes mostram uma queda acentuada no tráfego de internet em Cuba, com apenas um terço do volume normal de tráfego. Companhias aéreas de diversos países, como American Airlines, Delta e JetBlue, cancelaram voos para Cuba devido à escassez de combustível de aviação. A Air Canada também suspendeu voos para a ilha, com previsão de retorno apenas em 1º de novembro.
O presidente dos EUA, Donald Trump, comentou que Cuba está em “sérios apuros” e que os Estados Unidos podem ou não participar de uma “tomada amigável” do país. Em pronunciamento, ele afirmou que seria uma “honra” tomar Cuba, mencionando que “quando os Estados Unidos terão a honra de tomar Cuba?”. Questionado sobre uma possível operação militar, Trump respondeu que “não posso dizer isso”.

