A médica Andréa Marins Dias, de 61 anos, foi morta em um tiroteio no bairro de Cascadura, na zona Norte do Rio de Janeiro, durante uma ação da Polícia Militar no último domingo (15). Este bairro é o maior palco de tiroteios da Região Metropolitana do estado em 2026.
De acordo com um levantamento do Instituto Fogo Cruzado, Cascadura já registrou 18 tiroteios em apenas três meses deste ano, resultando em seis pessoas baleadas além da médica. No ano anterior, o bairro também foi o mais afetado pela violência armada, com 126 trocas de tiros ao longo de 2025.
Em 2026, 22 perseguições policiais resultaram em tiroteios no Grande Rio, deixando 16 pessoas baleadas. Somente neste ano, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro contabiliza 446 tiroteios, que deixaram 281 pessoas feridas. As ocorrências policiais, que incluem 201 trocas de tiros, foram responsáveis por 45% dos registros e 68% dos baleados.
A médica foi atingida durante uma perseguição policial após uma denúncia sobre um carro suspeito de estar envolvido em roubos na região. A polícia ainda não confirmou se o veículo dirigido por Andréa era o mesmo apontado como suspeito. Uma perícia da Polícia Civil foi realizada no local, e o laudo deve esclarecer a origem dos tiros que atingiram a médica.
A Delegacia de Homicídios da Capital investiga o caso e informou que diligências estão em andamento para esclarecer os fatos. Andréa Marins Dias era formada em medicina pela Uni-Rio e atuava como ginecologista e cirurgiã geral e oncológica há mais de 28 anos.
Com mais de 2 mil seguidores nas redes sociais, ela compartilhava dicas e informações sobre saúde feminina. Além disso, era criadora de um método para ajudar mulheres com endometriose a buscarem diagnóstico precoce. Uma semana antes de sua morte, Andréa fez uma postagem ressaltando sua profissão e, em outra publicação, celebrou seu aniversário afirmando que seu propósito era continuar “ajudando outras mulheres”.

