Uma mancha esverdeada se espalha por pelo menos 105 quilômetros no Rio Tietê, afetando cidades do interior de São Paulo, como Buritama, Adolfo, Sales e Novo Horizonte. O fenômeno tem gerado preocupação entre moradores, turistas e pescadores.
Imagens capturadas por um paramotor sobre a usina hidrelétrica de Promissão mostram a paisagem tomada por um ‘tapete verde’. O trajeto do rio entre Buritama e Novo Horizonte foi analisado, e a extensão da mancha foi confirmada por imagens do satélite Sentinel-2, parte do programa Copernicus da União Europeia, que monitora mudanças climáticas.
Comparações de imagens do satélite mostram a evolução da mancha entre 27 de março do ano passado e 14 de março deste ano, evidenciando a coloração esverdeada da água. O fenômeno é causado pela proliferação de plantas aquáticas, que se reproduzem rapidamente devido ao aumento de nutrientes, provenientes de esgoto doméstico, industrial, vinhaça e fertilizantes.
Moradores de um condomínio em Novo Horizonte relatam que a água apresenta coloração verde intensa, mau cheiro e aspecto de lodo, dificultando o uso do rio para lazer. Além disso, pescadores da região enfrentam dificuldades e indicam a mortandade de peixes, o que levanta preocupações sobre a qualidade da água.
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) informa que o fenômeno ocorre com maior frequência nesta época do ano, quando as altas temperaturas e as chuvas recentes favorecem a proliferação de algas.
Especialistas e autoridades ambientais explicam que a cor verde é resultado do crescimento anormal de algas, que consomem oxigênio e podem levar à morte de peixes. As plantas aquáticas, como os aguapés, precisam ser controladas, pois afetam a qualidade da água e dificultam a navegação.
As florações de microalgas são provocadas pelo enriquecimento do ambiente hídrico com nutrientes, especialmente fósforo e nitrogênio. Em reservatórios de hidrelétricas, o fenômeno pode ser intensificado, e as chuvas de verão contribuem para a carga de nutrientes no ecossistema aquático.


