Os Estados Unidos e seus aliados da América Latina e do Caribe iniciaram uma nova fase de cooperação no combate ao narcotráfico e ao crime organizado, chamada de ‘Escudo das Américas’. A iniciativa foi lançada pelo presidente Donald Trump em uma cúpula realizada em 8 de março, em Doral, na Flórida, com a participação de líderes de outros 16 países.
O plano prevê o fortalecimento de mecanismos como extradições rápidas, compartilhamento de inteligência e operações conjuntas de segurança. Parte das estratégias se inspira no modelo de repressão adotado por Nayib Bukele em El Salvador, que tem sido alvo de críticas de organizações internacionais por supostas violações de direitos humanos.
A articulação também envolve ações militares na região. Após lançar uma megaoperação com 75 mil soldados para combater gangues, o Equador realizou um bombardeio contra um acampamento de dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia na fronteira com a Colômbia.
Em resposta, o presidente colombiano Gustavo Petro afirmou que aguarda os resultados de uma investigação para evitar “entrar em uma guerra”. O FBI abriu um escritório permanente no Equador, enquanto o governo local decretou toques de recolher em áreas afetadas pela violência.
O Escudo das Américas também inclui iniciativas controversas, como ataques a embarcações suspeitas de narcotráfico no Caribe. O relator das Nações Unidas para contraterrorismo, Ben Saul, alertou para possíveis execuções extrajudiciais, o que foi rejeitado pelo Departamento de Estado americano.
Durante a reunião de lançamento, Trump citou o México como “epicentro da violência dos cartéis” e afirmou que essas organizações alimentam “um profundo derramamento de sangue e caos” na região. Brasil, México e Colômbia não fazem parte do Escudo das Américas.
A cúpula reúne principalmente líderes conservadores e deixa de fora nomes da esquerda na região. Entre os integrantes estão Javier Milei, da Argentina, e Daniel Noboa, do Equador. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Claudia Sheinbaum, do México, e Gustavo Petro não participam da iniciativa.


