A Prefeitura de Dourados, no Mato Grosso do Sul, confirmou a quarta morte por chikungunya na Reserva Indígena, conforme boletim da Vigilância em Saúde divulgado nesta segunda-feira, 16 de março de 2026.
A situação nas aldeias é considerada uma epidemia devido ao aumento rápido de casos nas últimas semanas. Para conter o avanço da doença, equipes da Secretaria Municipal de Saúde realizam um mutirão nas aldeias Jaguapiru e Bororó, com apoio de profissionais de Itaporã e do Governo do Estado.
A Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) também chegará ao local na quinta-feira, 19 de março, para reforçar o combate à doença.
Até o momento, foram registrados 407 casos na Reserva Indígena, sendo 202 confirmados, 181 em investigação, 24 descartados e quatro mortes. As vítimas incluem uma mulher de 69 anos da Aldeia Jaguapiru, que faleceu em 26 de fevereiro; um homem de 73 anos, também da Aldeia Jaguapiru, que morreu em 9 de março; um bebê de 3 meses da Aldeia Bororó, que faleceu em 10 de março; e uma mulher de 60 anos da Aldeia Jaguapiru, que morreu em 12 de março.
Na área urbana de Dourados, também houve um aumento de casos. Em 2026, foram registradas 912 notificações, com 379 confirmações, 383 exames aguardando resultado e 150 descartados. Até agora, não há mortes registradas fora da Reserva Indígena.
Apesar da população urbana ser maior, com cerca de 264 mil habitantes em comparação a aproximadamente 20 mil na Reserva, a proporção de casos nas aldeias é mais alta. Os números atuais já superam os do ano de 2025, quando foram registrados 184 casos confirmados e uma morte em todo o município e na Reserva.
A prefeitura organizou uma força-tarefa nas aldeias Jaguapiru e Bororó, onde as equipes já vistoriaram 4.319 imóveis, realizaram tratamento em 2.173 locais e identificaram 1.004 focos do mosquito Aedes aegypti, a maioria em caixas d’água, lixo e pneus. Além disso, houve borrifação em 43 imóveis, uso de dois equipamentos de inseticida e a atuação de 86 agentes de endemias e 29 agentes de saúde indígena.
A chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e provoca febre alta, dores nas articulações e cansaço. Em casos mais graves, pode ocasionar complicações neurológicas, como encefalite, meningite e paralisia. A recuperação pode ser lenta, com dores que persistem por um longo período.


