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Educação

Número de meninas em cursos de tecnologia nas Etecs cai 21% em um ano

Amanda Rocha
Última atualização: 17 de março de 2026 15:47
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
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O número de meninas matriculadas em cursos de tecnologia integrados ao ensino médio das Etecs caiu 21,2% em um ano. Em 2024, havia 11.923 alunas, enquanto em 2025 esse número recuou para 9.392. No mesmo período, mais de 26 mil meninos estavam matriculados nesses cursos.

A maior queda proporcional na quantidade de meninas ocorreu no curso de Desenvolvimento de Sistemas. Em 2024, 48% dos estudantes eram mulheres, mas em 2025, esse percentual caiu para 37%.

Os cursos considerados no levantamento incluem Desenvolvimento de Sistemas, Eletroeletrônica, Eletrônica, Informática, Informática para a Internet, Mecatrônica, Programação de Jogos Digitais e Rede de Computadores.

Geovana Carolina Jesus Pereira, aluna de Desenvolvimento de Sistemas na Etec Parque Belém, relatou que o ambiente predominantemente masculino quase a fez desistir do curso.

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“”Foi muito assustador no começo. Chegar numa sala que tem tantos homens assim me fez querer dar um passo atrás. Eu cheguei até a tentar desistir disso”,”

disse Geovana.

As ex-alunas Yasmin Pilla e Giovanna Mattar Romariz, da Etec Raposo Tavares, também enfrentaram preconceito durante o curso. Giovanna comentou:

““A maioria da sala era meninos e, às vezes, surgem algumas piadas ou comentários desnecessários”,”

e relatou que um aluno sugeriu que ela deveria cursar administração, afirmando que

““tecnologia não é para ela”.”

Yasmin também compartilhou experiências negativas em trabalhos em grupo, onde um colega dizia que as meninas deveriam fazer as partes mais fáceis.

““Eu sei que em aulas de programação erros podem acontecer com todos, mas, quando uma menina erra, algumas pessoas usam nosso gênero para falar esse tipo de coisa”,”

afirmou Giovanna.

Especialistas apontam que o afastamento das mulheres da área de tecnologia é resultado de barreiras culturais. Aparecida Maria Zem Lopes, doutora em Ciências da Computação, destacou que a autocobrança e o machismo são fatores determinantes.

““Uma das questões que elas respondem é que têm medo de não irem bem em conteúdos relacionados à área de matemática e exatas”,”

explicou a pesquisadora.

Atualmente, as mulheres representam cerca de 30% dos profissionais do setor de tecnologia. Para mudar essa realidade, o Centro Paula Souza tem desenvolvido ações como o projeto “Meninas na Ciência”. André Velasques de Oliveira, coordenador de comunicação da instituição, anunciou que novas iniciativas estão previstas para 2026, incluindo trilhas para apoiar as meninas no desenvolvimento de suas carreiras na área de tecnologia.

Apesar das dificuldades, alunas como Lara Motta Carneiro Silva permanecem determinadas.

““Meu sonho é fazer Engenharia de Software e seguir nessa área de programação e banco de dados. Quero somar com esse número e fazer parte do mercado de trabalho”,”

projetou a estudante.

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