Companhias aéreas europeias começaram a aumentar os preços e cancelar voos após a alta do querosene de aviação, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. A escandinava SAS cancelou centenas de voos nesta semana e anunciou um aumento temporário nas tarifas para compensar a alta do combustível.
A maioria das suspensões atinge rotas domésticas na Noruega, com impacto menor na Suécia e Dinamarca. ‘Dada a situação atual no Oriente Médio, incluindo o aumento acentuado e repentino nos preços globais de combustível, estamos adotando medidas para fortalecer nossa resiliência’, declarou a SAS em comunicado.
Outras grandes companhias aéreas europeias, como Air France-KLM e Lufthansa, também enfrentam pressão de custos. Parte do impacto é amortecida por contratos de hedge, mas o efeito da alta já começa a aparecer nas tarifas. O movimento pode impactar diretamente os brasileiros, que utilizam frequentemente companhias europeias em voos internacionais.
Na região da Ásia-Pacífico, empresas seguem a mesma tendência. A australiana Qantas anunciou reajustes nas passagens, com alta média de cerca de 5% nos voos internacionais. A Thai Airways também estuda aumentos entre 10% e 15%, dependendo da evolução dos preços. A Air India informou que vai ampliar a cobrança de sobretaxas de combustível em voos domésticos e internacionais, com taxas de até US$ 125 para rotas para a Europa e US$ 200 para a América do Norte.
Além dos preços mais altos, as companhias também reduziram operações no Oriente Médio por razões de segurança. O avanço dos preços do querosene, que representa cerca de 40% dos custos das aéreas, dobrou de valor desde o início do ano. Na segunda-feira, o preço médio global chegou a US$ 173,91 por barril, mais que o dobro do registrado em janeiro.
A alta do querosene é mais intensa do que a do petróleo bruto, pois o combustível depende de refino e tem menor prioridade que gasolina e diesel, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA). O barril de Brent, referência global do petróleo, gira em torno de US$ 100 após a escalada do conflito. O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial, agravou a crise de oferta.
As companhias afirmam que os reajustes são necessários para evitar prejuízos. A Air India, por exemplo, declarou que sem a aplicação de sobretaxas, alguns voos não cobririam os custos operacionais e teriam de ser cancelados.


