O Brasil e a China vão estabelecer um protocolo sanitário para o comércio de soja, que até então não existia entre os países. A informação foi confirmada pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, durante o Fórum Empresarial Brasil-Bolívia, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo.
Na próxima semana, os secretários da Agricultura, Carlos Goulart, de Defesa Agropecuária, e Luis Rua, de Comércio Exterior, viajarão para a China para discutir a criação de regras mais claras e previsíveis. A proposta visa estabelecer parâmetros sanitários que atendam às exigências chinesas, mas que também sejam viáveis para as empresas brasileiras.
Fávaro destacou que não há questionamentos sobre a qualidade comercial da soja brasileira, que é considerada “inquestionável”. Ele explicou que o problema apontado pela China está relacionado à presença de sementes de ervas daninhas quarentenárias, que não existem no território chinês e são tratadas como risco sanitário. “É uma preocupação legítima dos chineses”, afirmou.
O ministro também revelou que, desde a abertura do mercado chinês para a soja brasileira, não foi firmado um protocolo sanitário formal entre os dois países. Atualmente, o comércio é regido por legislações nacionais e termos comerciais, como o conceito de “substancialmente livre” de impurezas, que não exige a ausência total de contaminantes. Essa lacuna, segundo o governo, contribui para as divergências atuais.
O impasse já está afetando o fluxo comercial, com navios brasileiros enfrentando atrasos enquanto aguardam resultados de análises laboratoriais. Dos 22 navios que estão no mar, dois foram liberados após análises das cargas, enquanto os demais permanecem retidos. Fávaro afirmou que o governo determinou prioridade total para esses exames, mas deixou claro que não haverá flexibilização: embarques só serão autorizados com certificação sanitária adequada.
Caso contrário, as empresas deverão redirecionar a carga para outros destinos. Apesar das tensões, o ministro descartou a possibilidade de embargo ou suspensão das compras por parte da China. “Se houvesse intenção de restringir o comércio, a China já teria adotado essa medida, como ocorreu em outras ocasiões com produtos brasileiros”, disse.
Fávaro também negou qualquer mudança nas regras de exportação, afirmando que o Ministério da Agricultura apenas intensificou a fiscalização após receber as reclamações chinesas. Com inspeções mais rigorosas, foram identificados casos de presença de sementes quarentenárias em alguns navios, o que levou à adoção de medidas corretivas.
O tema ganhou pressão adicional após empresas do setor, como a Cargill, apontarem dificuldades operacionais diante do cenário mais rigoroso. O ministro ressaltou que decisões comerciais são individuais, enquanto o governo atua para garantir previsibilidade e continuidade das exportações.


