Piloto de lancha que naufragou em Manaus tem prisão mantida após audiência de custódia

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O comandante Pedro José da Silva Gama, piloto da lancha que naufragou em Manaus, teve sua prisão mantida após audiência de custódia realizada na tarde de terça-feira (17). Ele se entregou à polícia na segunda-feira (16), após permanecer um mês foragido.

O naufrágio da lancha de transporte de passageiros Lima de Abreu XV ocorreu em 13 de fevereiro, quando a embarcação, que partiu de Manaus com destino ao município de Nova Olinda do Norte, afundou com cerca de 80 pessoas a bordo. Três pessoas morreram e cinco continuam desaparecidas.

A audiência de custódia foi realizada no Fórum de Justiça Ministro Henoch Reis, onde Pedro prestou depoimento à polícia. A juíza plantonista homologou a prisão, considerando que não houve ilegalidade no momento da detenção do piloto.

Após a audiência, Pedro será encaminhado a uma unidade prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça. Ele se apresentou na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) acompanhado de sua advogada. A defesa afirmou que ele estava assustado com a situação e que pretende colaborar com as investigações.

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“”O Pedro se apresentou espontaneamente na delegacia, ele nunca teve a intenção de se evadir da Justiça, no entanto ele estava totalmente assustado, fragilizado, agora ele já se apresentou e pretende colaborar com as investigações”, disse a defesa do piloto.”

Pedro foi inicialmente detido no dia do acidente e levado ao 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Após a confirmação das mortes, foi transferido para a DEHS e liberado após pagar fiança. No dia seguinte, a juíza Eliane Gurgel do Amaral Pinto determinou sua prisão preventiva para garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal.

A lancha, da empresa Lima de Abreu Navegações, partiu de Manaus por volta das 12h30 e naufragou nas proximidades do Encontro das Águas, onde os rios Negro e Solimões se encontram. Vídeos gravados por passageiros mostram pessoas à deriva, muitas usando coletes salva-vidas enquanto aguardavam socorro.

As causas do naufrágio ainda não foram divulgadas oficialmente e estão sob investigação. Após o acidente, parte dos passageiros foi resgatada por embarcações que navegavam na área. Um dos resgates mais notáveis foi o de um bebê prematuro de cinco dias, que foi colocado dentro de um cooler para evitar contato com a água.

Entre as vítimas do naufrágio estão Samila de Souza, de 3 anos, Lara Bianca, de 22 anos, e Fernando Grandêz, de 39 anos. Os corpos de Samila e Lara foram encontrados horas após o acidente. Samila foi levada ao Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste, mas já estava sem vida. Lara, que estudava odontologia, foi resgatada e seu corpo encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). O corpo de Fernando foi encontrado três dias após o naufrágio.

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