Uma onça-parda foi registrada em Alagoas após 25 anos sem avistamentos. O flagrante ocorreu no Sertão do estado e foi realizado pelo Instituto SOS Caatinga, com confirmação do médico veterinário e vice-presidente da entidade, Rick Taynor Andrade Vieira.
O último registro da espécie, também conhecida como suçuarana ou puma, ocorreu em 2001, na região da Várzea da Marituba, em Piaçabuçu. Rick Taynor explicou que a onça-parda pertence à espécie Puma concolor e é classificada como vulnerável ao risco de extinção, conforme o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O local exato onde o animal foi encontrado não foi divulgado para proteger a espécie da caça, uma prática ainda presente no estado. “Uma vez que a gente divulga, esses animais são muito visados para a caça. Infelizmente, hoje ainda existe essa cultura no nosso estado”, afirmou o veterinário.
O registro foi feito em uma área de Caatinga considerada ambientalmente preservada. Além da onça-parda, outras espécies ameaçadas, como a jaguatirica, o veado-catingueiro e o jacu, também foram identificadas na região. Segundo o pesquisador, a presença do animal indica um equilíbrio ecológico na área.
““É uma espécie de topo de cadeia. Isso demonstra que a área apresenta boa qualidade ambiental. Para esse animal existir, precisa existir toda uma cadeia ecológica estruturada”, disse Rick Taynor.”
O exemplar registrado é um macho, com bom estado corporal e sinais de saúde. O Instituto SOS Caatinga já iniciou articulações com órgãos ambientais estaduais e federais para reforçar ações de conservação, incluindo educação ambiental e fiscalização da área.
A ONG atua no Sertão de Alagoas com projetos voltados à preservação da fauna e flora da Caatinga, em parceria com instituições como a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o Ministério Público de Alagoas (MP-AL). Entre as iniciativas, estão estudos com anfíbios, répteis, primatas e felinos ameaçados de extinção.
Rick Taynor também alertou para a necessidade de atualização das listas de espécies ameaçadas no estado, já que a última avaliação foi feita há quase uma década.
““Já vamos completar 10 anos da última avaliação. É importante atualizar essas informações para entender melhor o cenário atual das espécies”, disse.”


