Israel declara vitória na guerra contra o Irã, afirma chanceler

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, afirmou nesta terça-feira (17) que o país havia efetivamente vencido a guerra contra o Irã. No entanto, ele não deu indicações sobre quando o conflito poderia terminar, afirmando apenas que a campanha continuaria até que seus objetivos fossem alcançados.

Durante uma coletiva de imprensa, Saar mencionou que Israel busca eliminar “ameaças existenciais”, mas não detalhou como o governo determinaria quando esses objetivos seriam atingidos. “É preciso ter paciência”, disse ele, no 18º dia de uma guerra que já resultou na morte de mais de duas mil pessoas, a maioria no Irã e no Líbano, mas também em Israel, no Iraque e em toda a região do Golfo.

Saar e outras autoridades israelenses afirmaram que o objetivo é enfraquecer significativamente a capacidade do Irã de realizar ataques contra Israel a longo prazo. Eles também buscam criar condições que possam, em última instância, permitir que os iranianos derrubem seus governantes. No entanto, Saar reconheceu que “o regime” no Irã só poderia ser derrubado pelo povo iraniano, indicando que uma revolta não parece iminente.

As IDF (Forças Armadas de Israel) informaram que estão realizando ataques aéreos contra lançadores de mísseis balísticos, instalações de armazenamento e produção do Irã. Também bombardearam locais relacionados ao programa nuclear iraniano e atacaram forças de segurança. “Já vencemos”, declarou Saar, descrevendo o Irã como “dramaticamente enfraquecido” e não mais o país que era antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, com os ataques conjuntos entre EUA e Israel.

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Apesar da declaração de vitória de Saar, que ecoou as afirmações do presidente dos EUA, Donald Trump, na última quarta-feira (11), o Irã disparou inúmeros mísseis contra Israel na terça-feira, evidenciando a capacidade contínua de Teerã de realizar ataques de longo alcance após mais de duas semanas de guerra. O governo Trump tem emitido sinais contraditórios sobre quando o conflito poderá terminar, ora sugerindo que poderia ser concluído em breve, ora indicando que a campanha continua em andamento.

Autoridades israelenses não forneceram um cronograma, e os militares afirmam ter planos de guerra para as próximas três semanas e além. “Estamos fazendo um trabalho muito importante”, disse Saar, pouco após o ministro da Defesa do país, Israel Katz, anunciar que os militares haviam matado o chefe de segurança Ali Larijani, informação confirmada posteriormente por autoridades iranianas.

A guerra entre os EUA e Israel com o Irã mergulhou a região em turbulência, com Israel também lutando contra o Hezbollah, apoiado pelo Irã, no Líbano, e Teerã realizando ataques contra os estados árabes do Golfo. O Irã também fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo, por onde fluem 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo, elevando os preços da energia e os temores de inflação.

Diversos aliados dos EUA rejeitaram o pedido de Trump para enviar navios de guerra para escoltar petroleiros pelo estreito, criticando Washington e Israel por não os consultarem antes de iniciar a guerra. Saar descreveu o bloqueio da hidrovia pelo Irã como “pirataria moderna” e afirmou que se tratava de um problema global.

O ministro das Relações Exteriores da Estônia, Margus Tsahkna, que estava ao lado de Saar, sinalizou que o membro da Otan e da União Europeia estava aberto a participar de uma missão liderada pelos EUA para reabrir a hidrovia estratégica, mas ressaltou que Washington precisava primeiro esclarecer seus objetivos e o tipo de apoio que buscava.

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